'Queremos consenso com Itália', diz Áustria sobre cidadania

Para chanceler, projeto não deve "suscitar estupor"

Fronteira entre Itália e Áustria em Brennero
Fronteira entre Itália e Áustria em Brennero (foto: ANSA)
21:54, 06 AbrBOLZANO ZLR

(ANSA) - O chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, afirmou nesta sexta-feira (6) que o projeto para dar cidadania a moradores da província italiana de Bolzano (Alto Ádige) será implantado em acordo com Roma, mas destacou que a iniciativa não deve "suscitar estupor".

A declaração foi dada ao jornal "Dolomiten", a quem o chefe de governo também lembrou que o acordo com o ultranacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) prevê a concessão de dupla nacionalidade para os tiroleses do sul, como são chamados os habitantes do Alto Ádige.

"É um tema sensível, pelo qual tentamos o consenso com a Itália. Mas não deve ser esquecido que a Itália, há tempos, concede a dupla cidadania, então esse tema não deveria suscitar tanto estupor", afirmou Kurz.

A proposta foi apresentada em dezembro passado pelo FPÖ, que integra o governo conservador do chanceler, mas provocou reações na Itália, que teme o renascimento dos sentimentos separatistas entre os moradores do Alto Ádige.

A ideia é que cidadãos da província de Bolzano que se autodeclarem alemães ou ladinos no formulário de pertencimento linguístico possam obter a cidadania austríaca. Com isso, eles teriam a possibilidade até de se alistar no Exército de Viena. Bolzano é a única divisão administrativa do país onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos moradores). Ela faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi cedida ao Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou "italianizar" Bolzano à força, mas sem sucesso. Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma, porém abriga movimentos que defendem sua anexação pela Áustria.

Atualmente, os debates sobre o projeto de cidadania estão paralisados, porque Viena pretende aguardar o resultado das eleições regionais em Trentino-Alto Ádige, previstas para o outono europeu deste ano. (ANSA)

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