Áustria retira projeto para abrir consulados a italianos

A iniciativa havia provocado protestos em Roma

Anúncio em Viena agradece à Áustria por proposta de cidadania a tiroleses do sul
Anúncio em Viena agradece à Áustria por proposta de cidadania a tiroleses do sul (foto: EPA)
16:53, 19 AbrROMA ZLR

(ANSA) - A Áustria anunciou nesta quinta-feira (19) a retirada de um projeto de lei que previa a abertura dos consulados do país a falantes de alemão e ladino residentes na província autônoma de Bolzano (Alto Ádige), no extremo-norte da Itália.

Segundo o governo austríaco, a iniciativa havia sido transmitida ao Parlamento "por um erro". "Por isso a retiramos. O projeto ainda está em discussão", afirmou o Ministério das Relações Exteriores. A decisão chega após a Itália ter protestado formalmente contra a proposta em Viena.

"O projeto de lei austríaco não está em conformidade com as normas europeias em matéria de cidadania e em matéria consular e é de todo contrário ao direito internacional", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Itália, Angelino Alfano.

Segundo o chanceler, a retirada do projeto mostra que a "colaboração entre os países europeus é um bem a ser preservado com equilíbrio". O texto previa que, caso tiroleses do sul das comunidades alemã e ladina tivessem alguma dificuldade em um país terceiro, eles poderiam se dirigir a um consulado austríaco, mesmo que a nação em questão tivesse uma representação italiana.

As diretrizes da União Europeia preveem que cidadãos do bloco possam se dirigir ao consulado de qualquer Estado-membro caso não haja uma sede de seu próprio país. No entanto, o projeto de Viena ia além, ao permitir que tiroleses do sul procurassem um consulado austríaco mesmo se houvesse um italiano na mesma nação.

Em dezembro passado, o governo conservador de Sebastian Kurz já havia apresentado uma proposta para dar cidadania aos moradores do Alto Ádige que se autodeclaram alemães ou ladinos no formulário de pertencimento linguístico. O projeto incomodou a Itália, que teme o renascimento dos sentimentos separatistas na região.

Bolzano é a única divisão administrativa do país onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos moradores). Ela faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi cedida ao Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou "italianizar" Bolzano à força, mas sem sucesso. Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma. (ANSA)

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