'Catamarã verde' apoiado pela Prysmian faz etapa de tour mundial em Veneza

Energy Observer usa tecnologias disponíveis para zerar emissões

'Catamarã verde' faz etapa de tour mundial em Veneza (foto: ANSA)
14:10, 12 JulVENEZA ZLR

(ANSA) - Sol, vento e hidrogênio em uma única embarcação, demonstrando que um futuro de mobilidade "verde" no mar já é possível, e com as tecnologias à disposição. São esses os conteúdos na base do projeto "Energy Observer", o catamarã-piloto que, entre 5 e 15 de julho, faz a etapa veneziana de seu grande tour mundial, destinado a terminar em 2022.

A embarcação de 30,5 metros por 12,8, feita a partir de um barco a vela dos anos 1970, está ancorada na ilha de Certosa, paraíso natural da Lagoa de Veneza para esportes e meio ambiente. Ali, os 11 membros da tripulação e dos patrocinadores técnicos montaram um percurso didático que explica todo o projeto, nascido de uma intuição no meio do mar.

"Estava em uma viagem no Atlântico, anos atrás, com meu barco e tive um blecaute de energia perto do Brasil. Tinha um gerador a diesel que não funcionava, estava completamente perdido, mas estava cheio de energia em volta de mim: tinha o vento, o sol. Me pareceu interessante tentar desenvolver uma rede elétrica inteligente flutuante, que está na base do projeto Energy Observer", conta o capitão e idealizador da iniciativa, Victorien Erussard.

Com a ajuda de patrocinadores técnicos, incluindo a italiana Prysmian, que fez conexões com cabos de alta velocidade usados na indústria aeroespacial, o barco-laboratório tem um motor elétrico alimentado por 141 metros quadrados de células fotovoltaicas e por um sistema eólico. O equipamento conta ainda com um sistema de estocagem de hidrogênio tirado da água marinha, bombeada, dessalinizada, recomposta e devolvida ao mar.

Com isso, reduz-se o uso de baterias, o que permite diminuir notavelmente o peso da embarcação. E tudo utilizando tecnologias já disponíveis. Do início da viagem, em Saint-Malo, na França, em junho de 2017, o Energy Observer percorreu mais de 7,6 mil milhas náuticas ao longo das principais rotas comerciais marinhas e terminará sua "odisseia pelo futuro" em 2022, com o desembarque nas Nações Unidas, em Nova York.

"Grande parte dos stakeholders da mobilidade estão apostando no hidrogênio. Todos acreditamos que o hidrogênio seja a evolução natural depois do carvão e da gasolina, que nos permitirá seguir em frente sem perder em termos de desempenho, de conforto, e de poder alcançar os objetivos de zero dióxido de carbono.

Misturamos nossa cultura de marinheiros com a pesquisa e o desenvolvimento dos líderes da indústria de hidrogênio, para criar um sistema simples, confiável e econômico, com muitas possibilidades de utilização", diz o responsável pela área de pesquisa da tripulação, Louis Noel Vivies.

Para Marcelo Andrade, responsável por pesquisa e desenvolvimento do Grupo Prysmian, o "primeiro objetivo é desenvolver uma tecnologia derivada da aeroespacial em um barco onde não haja geração de CO2 e para reduzir seu peso ao máximo". "Para o outro ponto importante, a Prysmian confirma seu papel, com objetivo de criar cada vez mais produtos mais sustentáveis. Aqui temos uma grandíssima oportunidade de ver uma tecnologia aplicada em um barco 'verde'", afirma. (ANSA)

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