Premier da Itália faz processo seletivo para professor

Mesmo no governo, Conte não abriu mão de disputar vaga

Giuseppe Conte governa a Itália desde junho de 2018
Giuseppe Conte governa a Itália desde junho de 2018 (foto: ANSA)
15:31, 10 SetBRUXELAS ZLR

(ANSA) - Desconhecido de seus conterrâneos até pouco mais de três meses atrás, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, parece ter um "plano B" na manga caso seu governo não tenha vida longa.

O site "Politico" revelou que o premier, que é advogado e professor, era candidato a uma vaga de docente de direito privado na Sapienza Universidade de Roma, embora a legislação italiana proíba a participação em concursos universitários de pessoas que possam ter conflito de interesses - no caso, Conte é o chefe de governo do país.

O primeiro-ministro tinha até uma "entrevista" marcada para esta segunda-feira (10), durante a qual seriam examinadas suas competências em inglês. No entanto, após o caso vir à tona, na semana passada, Conte explicou que havia pedido transferência para Roma no início do ano, ainda antes das eleições, por motivos pessoais e que "repensaria" o pedido, dados seus "compromissos institucionais".

Segundo o premier, ele havia "se esquecido" da entrevista de emprego na Sapienza. No entanto, embora Conte não tenha aparecido para o processo seletivo, ele não havia retirado sua candidatura para a cátedra de direito privado na universidade romana até a tarde desta segunda.

Ainda de acordo com o "Politico", a comissão julgadora disse aos outros dois candidatos, Mauro Orlandi e Giovanni Perlingieri, que Conte não compareceria e que havia sugerido adiar o exame, ideia que foi aceita pelos seus concorrentes.

A resistência em abrir mão da disputa aumentou a pressão sobre o premier, que acabou renunciando à cátedra nesta segunda-feira. "O governo durará cinco anos", garantiu ele, acrescentando que "nunca pensou" em tirar vantagem de seu cargo atual.

O jurista está no poder na Itália desde o início de junho, no comando de um governo de coalizão entre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga. No entanto, os chefes dos dois partidos, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, ambos vice-primeiros-ministros, são vistos como os líderes "de facto" do país. (ANSA)

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