Itália admite que Líbia não é 'porto seguro' para migrantes

Declaração foi dada pelo ministro Enzo Moavero Milanesi

Barco de migrantes forçados no Mediterrâneo Central
Barco de migrantes forçados no Mediterrâneo Central (foto: Ansa)
15:12, 09 OutROMA ZLR

(ANSA) - O ministro de Relações Exteriores da Itália, Enzo Moavero Milanesi, afirmou nesta terça-feira (9) que a Líbia não é um "porto seguro" para o desembarque de migrantes forçados, contrariando seu colega de governo, o ministro do Interior Matteo Salvini, que defende que pessoas resgatadas no Mediterrâneo sejam devolvidas ao país africano.

Segundo normas internacionais, migrantes salvos no mar precisam necessariamente ser levados para o "porto seguro mais próximo", tarefa que, no Mediterrâneo Central, normalmente recai sobre a Itália.

Na maioria dos casos, a Líbia fica mais perto do local do resgate, mas entidades de direitos humanos defendem que o país não tem condições de receber essas pessoas. "Em estrito sentido jurídico, a Líbia não pode ser considerada um porto seguro, e como tal é tratada por vários navios que efetuam salvamentos", declarou Moavero durante uma coletiva de imprensa em Roma.

"A noção de porto seguro e país seguro está ligada a convenções internacionais, que atualmente não foram subscritas pela Líbia", acrescentou o chanceler. As declarações representam uma contradição com a postura do novo governo italiano, que defende que o país africano participe ativamente dos resgates no Mediterrâneo.

Além disso, a Itália treina e equipa a Guarda Costeira líbia desde 2017, o que causou uma drástica redução no número de migrantes forçados que conseguem realizar a travessia marítima. Desde o início de 2018, 21.323 deslocados internacionais chegaram à Itália via mar, o que representa uma queda de 80% em relação ao mesmo período do ano passado. (ANSA)

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