Itália reforça luta contra queda da taxa de natalidade

Governo anunciou novas medidas para incentivar nascimentos

Recém-nascidos em uma maternidade italiana
Recém-nascidos em uma maternidade italiana (foto: ANSA)
11:47, 05 DezROMA ZLR

(ANSA) - Após mais uma queda em sua taxa de natalidade, a Itália anunciou novas medidas para incentivar as pessoas a terem filhos e reverter a tendência de redução populacional registrada nos últimos anos.

Segundo dados divulgados na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat), o país contabilizou 458.151 nascimentos em 2017, 15 mil a menos do que em 2016.

Além disso, a Itália enfrenta desde 2015 uma queda constante em seu número de habitantes, que passou de 60,95 milhões para 60,48 milhões em três anos, apesar da chegada de dezenas de milhares de migrantes pelo Mediterrâneo.

O governo anterior, de centro-esquerda, já havia instituído um "bônus bebê" de 80 ou 160 euros por mês, dependendo da renda familiar, para cada criança recém-nascida ou recém-adotada, mas a atual gestão, do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e da ultranacionalista Liga, já anunciou que pretende reajustar o benefício em 20% a partir do segundo filho.

Outras medidas foram divulgadas nesta quarta-feira (5), como o aumento da "bolsa creche" de mil para 1,5 mil euros por ano. A iniciativa havia sido criada em 2017 e agora deve ficar em vigor ao menos até 2021, segundo uma emenda à Lei Orçamentária apresentada pela Liga.

Na visão do partido de extrema direita, o principal empecilho para casais terem filhos são os custos ligados à criação de uma criança, principalmente com creche. O governo também pretende aumentar a licença paternidade de quatro para cinco dias e alterar as regras da licença maternidade.

Atualmente, as mães têm direito a cinco meses de abstenção, mas dois deles precisam ser obrigatoriamente antes do parto. Outra emenda proposta pela Liga autoriza as mulheres a trabalharem até o nascimento de seus filhos, caso haja liberação médica, e a ter cinco meses de licença após o parto, ao invés de três.

Há quem defenda na Itália a ideia de incentivar a migração para compensar a queda da natalidade e a subsequente perda de força de trabalho, mas isso é rechaçado pela Liga. Recentemente, o ministro do Interior Matteo Salvini, secretário do partido, disse que o país não precisa de "novos escravos" para compensar a redução dos nascimentos. (ANSA)

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