Presépio em bote de migrantes é criticado na Itália

Montagem faz referência à crise migratória no Mediterrâneo

Presépio mostra José, Maria e Jesus em barco de migrantes
Presépio mostra José, Maria e Jesus em barco de migrantes (foto: ANSA)
13:34, 11 DezMILÃO ZLR

(ANSA) - Um padre virou alvo de críticas na Itália após montar um presépio no qual José, Maria e o menino Jesus aparecem em um bote inflável navegando no mar, acima da frase "Para eles não havia lugar".

A montagem faz referência à crise migratória no Mediterrâneo e às polêmicas envolvendo o navio Aquarius, das ONGs SOS Méditerranée e Médicos Sem Fronteiras e que foi tirado de operação após não ter conseguido registro de nenhum país para seguir navegando.

O presépio fica na Fundação Casa da Caridade, em Milão, e foi montado por ordem do padre Virginio Colmegna, presidente da entidade. "Estamos convencidos de que a Natividade seja uma história de extraordinária contemporaneidade. Por isso, usamos a frase do Evangelho de Lucas para refletir sobre o que aconteceu com Maria e José, que, em busca de um abrigo, ouviram todas as vezes que não havia lugar", explicou o religioso.

A ideia surgiu meses atrás, após o Aquarius ser obrigado a navegar sem destino no Mediterrâneo por ter sido impedido de ancorar na Itália com mais de 600 migrantes e refugiados a bordo. A iniciativa, no entanto, não agradou a todos.

Silvia Sardone, conselheira regional de centro-direita na Lombardia, chamou o presépio de "imigracionista". "É a enésima tentativa de explorar símbolos do Natal para lançar mensagens políticas e arruinar nossas tradições", disse.

A polêmica surge em meio ao debate provocado por escolas que decidiram não fazer presépios para não ofender alunos não-cristãos, ação criticada pela ala nacionalista do governo italiano. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, no entanto, chamou a polêmica de "inútil" "Dom Colmegna faz isso na vida, dá espaço e atenção a todos, e eu diria que devemos até agradecê-lo", declarou. No ano passado, um presépio com um menino Jesus negro em Viareggio já havia sido criticado por membros do partido Liga, que denunciaram uma ação "propagandista". (ANSA)

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