Premier italiano discute com vice sobre migrantes

49 pessoas estão desde dezembro bloqueadas em dois navios

Migrantes a bordo do navio da ONG alemã Sea Watch
Migrantes a bordo do navio da ONG alemã Sea Watch (foto: Reprodução/Twitter)
20:30, 08 JanROMA ZLR

(ANSA) - O impasse sobre o destino dos 49 migrantes a bordo dos navios das ONGs Sea Watch e Sea Eye, que estão bloqueados no Mediterrâneo desde o fim de dezembro, aumentou a tensão no governo da Itália nesta terça-feira (8), com um bate-boca público entre o premier Giuseppe Conte e um de seus vices, o ministro do Interior Matteo Salvini.

A discussão começou quando Conte, que é uma indicação do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), disse, durante um programa na emissora Rai, que "há limites para políticas de rigor" e que falaria com Salvini, líder da ultranacionalista Liga, sobre o acolhimento dos migrantes.

Pouco depois, ainda durante o programa com o premier, Salvini, por meio de um vídeo no Facebook, reiterou que não mudará "nunca" de ideia. "Ceder significaria abrir os portos ao tráfico de seres humanos. Ninguém chegará com meu apoio ou da Liga", garantiu.

Ainda na TV, Conte retrucou: "Se quer dizer que não os deixaremos desembarcar, os pegarei [os migrantes] com um avião e os trarei para cá". A tréplica chegou quase imediatamente. "Não autorizo nenhum desembarque e não concordo com qualquer chegada à Itália. Se outros o fizerem, que assumam a responsabilidade política", afirmou.

Em seguida, também no Facebook, reiterou que migrantes só podem entrar na Itália com permissão e voltou a acusar as ONGs de ajudarem os traficantes de seres humanos que atuam no Mediterrâneo. Dias antes, Salvini já havia desautorizado o também vice-premier e ministro do Trabalho Luigi Di Maio, que prometera acolher as mulheres e crianças a bordo dos dois navios.

O ministro do Interior é o responsável pelo endurecimento das políticas migratórias da Itália e fechou os portos do país para navios de ONGs, alegando que elas fazem resgates na área sob responsabilidade da Guarda Costeira da Líbia. As entidades, por sua vez, acusam o país africano de violar os direitos humanos de deslocados internacionais.

Os navios

O navio da Sea Watch carrega 32 migrantes salvos no último dia 22 de dezembro, enquanto a embarcação da Sea Eye resgatou 17 pessoas em 29 do mesmo mês. Ambos estão em águas territoriais de Malta, mas sem permissão para atracar.

Até o momento, 10 países da União Europeia se ofereceram para abrigar os deslocados internacionais, inclusive a Itália, porém à revelia de Salvini, que é o responsável pelas políticas migratórias do governo.

Para autorizar o desembarque, o governo maltês exige que as negociações envolvam outros 249 migrantes resgatados pela sua Guarda Costeira nos últimos dias, totalizando 298 pessoas.

Alemanha e França já se comprometeram em receber 50 cada uma. Entre os países que se disponibilizaram também estão Portugal (10), Holanda (seis), Luxemburgo (seis) e Romênia ("alguns").

Contudo ainda falta muito para chegar às exigências de Malta. A Comissão Europeia estuda redistribuir apenas aqueles com mais possibilidade de obter refúgio, ajudando Valeta a repatriar o restante. (ANSA)

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