UE cogita encerrar missão que resgata migrantes no mar

"Sophia" foi criada em 2015 e é coordenada pela Itália

Militares a bordo de navio a serviço da missão Sophia
Militares a bordo de navio a serviço da missão Sophia (foto: EPA)
11:31, 23 JanBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A União Europeia cogita encerrar a missão naval "Sophia", criada em 2015 para combater a crise migratória no Mar Mediterrâneo e coordenada pela Itália.

O mandato da operação termina em 31 de março de 2019, mas seu escopo vem sendo questionado dentro do bloco. Na última terça-feira (22), a Alemanha anunciou que não enviará mais navios para a missão, embora garanta que continuará contribuindo de outras formas - a agência local DPA, no entanto, diz que a medida se deve à postura "linha dura" do governo italiano na questão migratória.

"Se a Itália, país que hospeda e tem o comando da missão, quiser interromper a operação Sophia, ela pode tomar essa decisão", afirmou o comissário europeu para Migrações, Dimitris Avramopoulos, acrescentando, contudo, que torce pela continuação da força-tarefa.

Fontes próximas à alta representante da UE para Política Externa, a italiana Federica Mogherini, disseram que Bruxelas está pronta a dar fim à operação, caso seja esse o desejo de Roma.

A missão nasceu para combater traficantes de seres humanos e socorrer pessoas à deriva no Mediterrâneo Central. Atualmente, se ocupa também do treinamento da Guarda Costeira da Líbia e do enfrentamento ao transporte de armas para o país africano.

O apoio da União Europeia, especialmente da Itália, às forças de Trípoli é criticado por organizações de direitos humanos, já que migrantes resgatados pelos líbios são levados de volta ao país africano, onde há inúmeras denúncias de violações em centros de detenção.

Roma, por sua vez, critica o fato de a maior parte dos migrantes resgatados no âmbito da "Sophia" ser levada para portos italianos. "A missão naval Sophia tem como razão de vida que todos os migrantes socorridos sejam desembarcados somente na Itália. Acordo genial assinado pelo governo Renzi, não sei a troco de quê. Ou mudam as regras, ou acaba a missão", disse o ministro do Interior Matteo Salvini.

Normas marítimas internacionais determinam que pessoas resgatadas no mar sejam levadas ao "porto seguro" mais perto. Devido à proximidade com a costa africana, países como Itália, Malta e - ao menos ultimamente - Espanha acabam arcando com esse peso.

A maioria dos migrantes, por sua vez, prefere seguir viagem em direção ao norte da Europa, e a Alemanha é hoje o país da UE que mais abriga refugiados e solicitantes de refúgio em termos absolutos: 1,4 milhão, segundo a ONU, enquanto a Itália acolhe 354 mil.

A "Sophia" opera com três navios e oito veículos aéreos e recebeu esse nome em homenagem a uma bebê somali nascida após um resgate em uma embarcação alemã. (ANSA)

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