França adverte Di Maio por encontro com 'coletes amarelos'

Vice-premier da Itália se reuniu com líder do movimento em Paris

França adverte Di Maio por encontro com 'coletes amarelos' (foto: EPA)
11:38, 07 FevROMA ZCC

(ANSA) - O governo francês de Emmanuel Macron alertou nesta quinta-feira (7) o ministro do Trabalho e vice-premier da Itália, Luigi Di Maio, para não interferir na política do país, depois que o italiano se reuniu com líderes do movimento "coletes amarelos".

"Esta nova provocação é inaceitável entre países vizinhos e parceiros no coração da União Europeia (UE)", disse uma nota do ministério das Relações Exteriores da França.

Na última terça-feira (5), Di Maio se reuniu com o líder do movimento Christophe Chalençon e com Ingrid Levavasseur, que está liderando uma lista dos "coletes amarelos" para disputar as eleições no Parlamento Europeu em maio.
   

O ministro do Trabalho da Itália estava acompanhado do ex-deputado Alessandro Di Battisti, um dos expoentes mais radicais do partido antissistema italiano Movimento 5 Estrelas (M5S).
   

"Macron está um pouco nervoso ultimamente porque o país está ficando fora de controle, e está claro que os protestos já duram meses. Todas as reivindicações dos coletes amarelos estão no contrato do governo, é uma fase histórica em que se você não ouvir as demandas do trabalho, os empresários, os aposentados, os desempregados, teremos um grande problema em ver as pessoas nas praças", ressaltou Di Maio.

O italiano afirmou que está em contato com forças políticas em toda a Europa que querem criar grupos parlamentares. "Por ora, já nos reunimos com alguns representantes dos coletes amarelos, há algumas exigências comuns, caso entrem no Parlamento Europeu, também nos permitirão trabalhar juntos".

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, por sua vez,  informou que convocou seu embaixador em Roma, Christian Masset, para consultas após uma série de “provocações” por parte dos líderes do governo italiano.

“Durante vários meses, a França tem sido objeto de repetidas acusações, ataques infundados e afirmações ultrajantes”, disse o ministério em um comunicado, ressaltando que o caso é “sem precedentes” desde o fim da 2ª Guerra Mundial (GM).

“Estar em acordo é uma coisa, explorar as relações para fins eleitorais é outra”, acrescenta a nota.

O movimento nasceu em novembro passado, em protesto contra as políticas econômicas do presidente Macron. Por sua vez, as relações entre França e Itália estão tensas desde que o M5S e o partido ultranacionalista Liga chegaram ao poder em junho de 2018.

Em janeiro, o governo francês convocou o embaixador da Itália depois que Di Maio disse que Paris nunca parou de "explorar" a África. (ANSA)

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