Homem sequestra ônibus na Itália em protesto contra políticas migratórias

Ítalo-senegalês quase provocou uma tragédia com estudantes

Ônibus incendiado por ítalo-senegalês nos arredores de Milão (foto: ANSA)
13:45, 21 MarMILÃO ZLR

(ANSA) - Um cidadão ítalo-senegalês sequestrou e incendiou um ônibus escolar em San Donato Milanese, nos arredores de Milão, nesta quarta-feira (20), para protestar contra as mortes de migrantes no Mar Mediterrâneo.

Ousseynou Sy, 47 anos, raptou o veículo, que levava 51 alunos de um colégio da cidade de Crema, e o incendiou com gasolina em uma estrada de San Donato. Segundo um professor que estava com os jovens, o agressor queria seguir até o Aeroporto de Linate.

De acordo com o mesmo docente, Sy, que tem cidadania italiana desde 2004, criticava as políticas migratórias do governo italiano. "Quero acabar com isso, é preciso impedir as mortes no Mediterrâneo", teria dito o sequestrador, segundo a primeira reconstrução feita pela polícia.

Dois adultos e 12 alunos foram levados para um hospital com sintomas de intoxicação, mas ninguém ficou ferido. Sy, por sua vez, foi detido e internado em um hospital de Milão com queimaduras no braço.

"Estamos avaliando todas as hipóteses, inclusive a de terrorismo", disse o procurador Francesco Greco, que lidera o inquérito sobre o sequestro. "Foi um milagre, poderia ter sido um massacre. Os carabineiros foram excepcionais ao bloqueá-lo", acrescentou.

Sequestro

O ítalo-senegalês era o motorista do ônibus e levava os jovens de volta à escola após uma atividade externa. Em determinado momento, Sy teria mudado a rota e, dirigindo-se aos estudantes com uma faca na mão, dito: "Vamos a Linate, ninguém mais desce". Um dos alunos então teria usado o celular para alertar os pais, que acionaram a polícia.

O motorista ainda tentou furar um bloqueio da Arma dos Carabineiros, mas perdeu o controle do ônibus, que se chocou contra uma mureta. Sy então espalhou gasolina pelo veículo e o incendiou, porém os policiais conseguiram retirar todos os passageiros em segurança. O sequestro durou pouco menos de 40 minutos.

Uma estudante que estava no ônibus relatou à polícia que o agressor culpava os vice-primeiros-ministros Matteo Salvini (Liga) e Luigi Di Maio (M5S) pelas mortes de migrantes. "Ele nos ameaçava, dizia que, se nos movêssemos, jogaria gasolina e colocaria fogo. Ficava dizendo que as pessoas na África morrem, e a culpa é de Di Maio e Salvini", contou a jovem.

Outras testemunhas dizem que Sy mandou os professores amarrarem os alunos com fios elétricos e confiscou todos os celulares - apenas um estudante conseguiu esconder seu smartphone e avisar os pais. A polícia faz neste momento uma operação de busca na casa do agressor, que vivia sozinho.

"A coisa importante é o desfecho feliz de um evento - que poderia ter provocado um fim trágico - graças à coragem dos jovens", disse o comandante Luca De Marchis.

O agressor tinha antecedentes penais por dirigir embriagado (2007) e assédio sexual contra menor de idade (2011). "Um senegalês com cidadania italiana ao volante de um ônibus escolar, com antecedentes por dirigir embriagado e violência sexual, sequestrou o veículo e o incendiou. Gostaria de saber por que uma pessoa com tal histórico dirigia um ônibus com jovens", questionou.

Salvini é o responsável pelo endurecimento das políticas migratórias da Itália, cujo governo fechou os portos para pessoas resgatadas no Mar Mediterrâneo. Desde o início do ano, apenas 398 migrantes conseguiram concluir a travessia, queda de 93,54% em relação ao mesmo período de 2018.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ao menos 153 indivíduos já morreram ou desapareceram no Mediterrâneo Central em 2019. (ANSA)

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