Sequestrador de ônibus na Itália queria 'impacto mundial'

Ousseynou Sy incendiou veículo para protestar por migrantes

Graças à rapidez da polícia, sequestro de ônibus escolar não teve ninguém ferido
Graças à rapidez da polícia, sequestro de ônibus escolar não teve ninguém ferido (foto: ANSA)
15:14, 22 MarMILÃO ZLR

(ANSA) - O ítalo-senegalês Ousseynou Sy, autor do sequestro e incêndio de um ônibus escolar com mais de 50 estudantes em San Donato Milanese, no norte da Itália, queria realizar uma ação de impacto "internacional".

Sy, 47 anos, prestou depoimento em uma audiência de custódia nesta sexta-feira (22), na penitenciária de San Vittore, em Milão. Segundo seu advogado, Davide Lacchini, ele confirmou que o ataque foi uma "reivindicação" contra as mortes de crianças migrantes no Mediterrâneo, mas garantiu que não pretendia fazer mal a ninguém.

O ítalo-senegalês disse que o ônibus pegou fogo de maneira "acidental", embora vários adolescentes tenham relatado que ele derrubara gasolina no veículo e ameaçara incendiá-lo. "Meu cliente louvou a política migratória italiana, porque é o único país, segundo ele, que salva vidas e gasta milhões de euros nisso", declarou Lacchini.

Para o defensor, a mensagem que Sy queria passar era de que "os africanos não devem vir à Europa". "Ele não queria uma ação de impacto nacional, mas sim internacional", acrescentou. No depoimento, o agressor criticou a "exploração econômica da África pela Europa" e garantiu que pretendia levar o ônibus para o Aeroporto de Linate e pegar um avião de volta para Senegal.

Sy continua em prisão preventiva e foi transferido para uma ala separada na cadeia após ter sido alvo de protestos dos outros detentos. Seu advogado diz que ele demonstrou "sinais de desequilíbrio" e sugeriu a realização de uma perícia psiquiátrica.

Sequestro

Ousseynou Sy levava os jovens de volta a uma escola de Crema, a 50 quilômetros de Milão, após uma atividade externa. Perto de San Donato Milanese, ele mudou a rota e disse aos 51 estudantes a bordo que iria para o Aeroporto de Linate.

Ele confiscou os celulares dos jovens, mas um deles, Ramy Shehata, 13 anos, filho de um imigrante egípcio, conseguiu esconder seu aparelho e avisar a polícia.

O agressor tentou furar um bloqueio da Arma dos Carabineiros, mas perdeu o controle do ônibus, que se chocou contra uma mureta. Sy então espalhou gasolina pelo veículo e o incendiou, porém os policiais conseguiram retirar todos os passageiros em segurança. O sequestro durou pouco menos de 40 minutos.

Cidadão italiano desde 2004, ele tinha antecedentes penais por dirigir embriagado (2007) e assédio sexual contra uma adolescente (2011). (ANSA)

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