Salvini recua e promete cidadania a jovem 'herói'

Ramy Shehata avisou polícia e evitou massacre em ônibus

Ramy Shehata, 13 anos, nasceu na Itália e é filho de egípcios
Ramy Shehata, 13 anos, nasceu na Itália e é filho de egípcios (foto: ANSA)
15:32, 26 MarROMA ZLR

(ANSA) - Um dia após ter dito que não havia "precedentes" para conceder cidadania ao adolescente Ramy Shehata, 13 anos, que evitou um massacre em um ônibus escolar na semana passada, o ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini cedeu nesta terça-feira (26) às pressões de seus aliados de governo e decidiu reconhecer o jovem como italiano.

Ramy, filho de imigrantes egípcios, conseguiu esconder seu celular de Ousseynou Sy, que sequestrara um ônibus com 51 estudantes para protestar contra as políticas migratórias da Itália, e avisou a polícia, evitando que o ataque ganhasse proporções trágicas.

Em função disso, teve início um movimento na Itália para conceder cidadania ao jovem, embora a lei do país só permita que filhos de imigrantes se tornem italianos ao completar 18 anos.

"Sim à cidadania para Ramy, porque é como se ele fosse meu filho e demonstrou ter entendido os valores desse país. O ministro deve respeitar as leis, mas elas podem ser superadas por atos de bravura ou coragem", disse o ministro.

Na última segunda-feira (25), ele havia afirmado que não existiam elementos para conceder cidadania a Ramy e declarado que esse reconhecimento não pode ser um "presente". "Espero encontrar Ramy o quanto antes e fazer aquilo que a lei me permite, não faço o que a lei não me permite", declarara Salvini, líder do partido ultranacionalista Liga.

Após esse posicionamento, os ministros da Justiça, Alfonso Bonafede, e do Desenvolvimento Econômico, Luigi Di Maio, ambos do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), aumentaram a pressão para conceder cidadania a Ramy.

"Estou feliz por ter convencido Salvini sobre a cidadania a esse menino. Esse é um país que vale muito mais que a simples indignação", disse Di Maio, que também é vice-premier da Itália. Já o pai do adolescente, Khalid Shehata, agradeceu aos dois vice-primeiros-ministros e disse que irá a Roma para encontrá-los. (ANSA)

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