Procissão marca 10 anos de terremoto em L'Aquila

Marcha contou com a presença de cerca de 15 mil pessoas

Procissão pelas 309 vítimas do terremoto de L'Aquila (foto: ANSA)
11:12, 06 AbrL'AQUILA ZLR

(ANSA) - Apesar de um frio de 3ºC, cerca de 15 mil pessoas participaram na madrugada deste sábado (6) de uma procissão pelo aniversário de 10 anos do terremoto que devastou a cidade de L'Aquila, capital de Abruzzo, no centro da Itália.

Ocorrido às 3h32 do dia 6 de abril de 2009, o abalo sísmico teve magnitude 6.3 na escala Richter e deixou 309 mortos, 1,6 mil feridos e dezenas de milhares de desabrigados. Até hoje, o município de 70 mil habitantes e as outras áreas atingidas não foram totalmente reconstruídos.

Em um clima de dor e comoção, milhares de aquilanos ganharam na madrugada deste sábado a companhia de pessoas provenientes de toda a Itália e até do exterior, em um sinal de que o aniversário de 10 anos reacendeu os refletores sobre a tragédia.

O primeiro-ministro Giuseppe Conte, que chegara em L'Aquila às 21h30 da última sexta-feira (5), deixou a cidade por volta de 1h da madrugada, ainda antes da procissão, após cumprimentar pessoas que se encaminhavam para o centro histórico.

"Passaram-se 10 anos, e temos o dever da memória. Muitas pessoas perderam seus entes queridos e revivem neste momento um grande sofrimento. Minha presença é testemunho de que a ferida da comunidade local é uma ferida da comunidade nacional", afirmou o premier.

A procissão terminou com uma missa celebrada pelo arcebispo metropolitano de L'Aquila, cardeal Giuseppe Petrocchi, que disse que a cidade já ouviu "muitas promessas". "Há esperas que agora precisam ser preenchidas por fatos", declarou. Estima-se em mais de 7 bilhões de euros o valor que ainda será necessário para concluir a reconstrução.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, por sua vez, afirmou que a reconstrução "continua sendo um grande desafio nacional" e que as instituições devem "garantir recursos, apoio e transparência nas obras". "O motor da reconstrução deve funcionar com plena capacidade, e os canteiros devem se tornar símbolos da esperança", acrescentou.

Quase 9 mil famílias ainda vivem em casas provisórias, sendo 4 mil apenas em L'Aquila, e o centro histórico da capital de Abruzzo continua praticamente desabitado, com somente 1% das atividades comerciais que existiam antes do sismo. Nenhuma escola pública destruída na cidade foi reconstruída até o momento, e as crianças estudam ainda hoje em módulos provisórios.

"Os jovens de L'Aquila e das cidades atingidas pelo terremoto de 2009 têm direito ao renascimento de suas comunidades. Pensar no amanhã, não apenas no hoje, é nosso compromisso com as novas gerações", reforçou Mattarella.

Já o papa Francisco enviou uma carta para a arquidiocese local, na qual afirma que acompanha "a árdua jornada para reconstruir - bem, rapidamente e de maneira compartilhada - os edifícios públicos e privados, bem como as igrejas". "Rezo por todas as vítimas daquela tragédia e por suas famílias", diz o Pontífice na mensagem. (ANSA)

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