Salão do Livro de Turim exclui editora acusada de fascismo

Altaforte lançaria livro sobre Matteo Salvini na feira

Abertura do Salão do Livro de Turim, na Itália
Abertura do Salão do Livro de Turim, na Itália (foto: ANSA)
14:18, 10 MaiTURIM ZLR

(ANSA) - O Salão do Livro de Turim, principal feira literária da Itália, rompeu o contrato com a editora Altaforte, cujo fundador pertence ao partido neofascista CasaPound e que publica livros com apologia a Benito Mussolini.

O evento acontece entre 9 e 13 de maio, e a Altaforte havia alugado um estande para lançar um livro-entrevista com o ministro do Interior e vice-premier italiano, Matteo Salvini, do partido ultranacionalista Liga.

A participação da editora, no entanto, recebera uma série de críticas por causa de sua proximidade com o ideário fascista. Entre outras obras, a Altaforte já publicou volumes que exaltam o "testamento espiritual" de Mussolini e a "revolução fascista" e até uma versão em história em quadrinhos dos diários do ditador na Primeira Guerra Mundial.

A decisão de tirar a editora do evento foi tomada após pressões da Prefeitura de Turim e da Região do Piemonte, fundadoras e acionistas do Salão do Livro e governadas, respectivamente, pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e pelo centro-esquerdista Partido Democrático (PD).

"É necessário tutelar o Salão do Livro, sua imagem, sua marca democrática e o sereno desenvolvimento de um evento acompanhado por milhares de pessoas", diz uma nota dos governos municipal e regional.

A própria Prefeitura de Turim já havia denunciado o fundador da Altaforte, Francesco Polacchi, por apologia ao fascismo - ele é autor de frases como "eu sou fascista", "o antifascismo é o verdadeiro mal deste país" e "Mussolini é o maior estadista italiano".

A presença da editora na feira literária motivara um boicote de personalidades e instituições culturais, incluindo o museu do campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

"Nós pagamos pelo estande e entraremos com uma ação. E, obviamente, venceremos", disse Polacchi, que negou ser "racista" e "antissemita", mas não "fascista". O fundador da Altaforte ainda prometeu lançar o livro-entrevista com Salvini no próximo sábado (11), em Turim, mas o local não foi definido.

Reações

A escritora polonesa Halina Birenbaum, sobrevivente do Holocausto, participou da abertura do Salão do Livro nesta quinta-feira (9) e elogiou a exclusão da Altaforte. "Agradeço pela decisão corajosa que me permitiu estar aqui", declarou Birenbaum, que anunciara um boicote ao evento no início da semana.

Já Salvini criticou a medida. "A minoria de esquerda se dá o direito de decidir quem pode fazer música, quem pode fazer teatro, quem pode publicar livros", disse o ministro durante um comício em Pesaro, acrescentando que a "censura e a queima de livros" não deram certo no passado. (ANSA)

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