Em carta, premier da Itália reconhece legitimidade de Guaidó

Documento foi publicado pelo jornal italiano 'La Stampa'

Em carta, premier da Itália reconhece legitimidade de Guaidó
Em carta, premier da Itália reconhece legitimidade de Guaidó (foto: EPA)
15:14, 11 MaiROMA ZCC

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, enviou uma carta ao autoproclamado presidente da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, na qual reconhece sua legitimidade perante ao governo de Nicolás Maduro. "Nós reconhecemos a Assembleia Nacional e seu presidente Guaidó como legítimos. O presidente Maduro não tem legitimidade democrática. A Itália sempre trabalha pela opção política", escreveu Conte no documento publicado pelo jornal italiano "La Stampa". Desde quando a crise venezuelana começou a ganhar grandes proporções, o governo da Itália preferiu não tomar posições oficialmente. No entanto, o Movimento 5 Estrelas (M5S) chegou a expressar profunda preocupação com a tentativa de golpe de Estado em curso no país e pelos riscos de derivar uma violenta crise política que deveria ser resolvida com o diálogo e a convocação de novas eleições. O vice-premier e ministro do Interior Matteo Salvini, por sua vez, defendeu a queda do "ditador" Maduro e demonstrou preocupação com a segurança de Guaidó, que preside a Assembleia Nacional da Venezuela e se declarou presidente interino do país.
    "Garanto-lhe que acompanho a situação crítica com grande participação e envolvimento emocional, levando em conta o sofrimento que a população venezuelana está experimentando, inclusive a grande comunidade italiana", acrescentou Conte na carta. Em resposta a um convite feito por Guaidó para um confronto na emergência na Venezuela, publicado ontem (10) também pelo "La Stampa", o premier afirmou que a Itália, juntamente com os outros países da União Europeia (UE), sempre distinguiu, de forma linear e coerente, os órgãos eleitos democraticamente, como a Assembleia Nacional presidida por Guaidó, de órgãos sem legitimidade democrática, como o presidente da República.
    Conte ainda explicou que o governo italiano não o reconheceu oficialmente como presidente interino, "não apenas por razões de ordem jurídica formal, mas também porque está ciente do risco de contribuir para a radicalização das respectivas posições, favorecendo a espiral da violência".
    "Não somos passivos, no entanto, temos estados ativos em várias frentes, começando com a internacional, promovendo uma solução pacífica com eleições presidenciais livres", explicou.
    No documento, o político europeu deixou claro que a Itália condena firmemente qualquer escalada de violência e abuso e faz parte do Grupo de Contato, que reúne países da Europa e latino-americanos para tentar solucionar a crise na Venezuela. "Esta é a posição do meu governo. E assim será sempre no futuro também. Nós também estamos apoiando isso em relação ao conflito em curso em um país próximo a nós, que consideramos estratégicos, a Líbia. É a mesma posição" perante a Venezuela, finalizou. (ANSA)

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