Salvini pede a Conte resposta 'dura' contra ONU

Organização atacou políticas migratórias do ministro do Interior

Matteo Salvini conversa com jornalistas na entrada da Câmara dos Deputados, em Roma
Matteo Salvini conversa com jornalistas na entrada da Câmara dos Deputados, em Roma (foto: ANSA)
14:26, 29 MaiROMA ZLR

(ANSA) - O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, cobrou do premier Giuseppe Conte e do chanceler Enzo Moavero uma "dura" resposta contra as críticas da Organização das Nações Unidas (ONU) às políticas migratórias do governo.

Há cerca de 10 dias, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos (Acnudh) enviou uma carta à Itália apontando riscos de "graves violações dos direitos" de migrantes e refugiados contidos no Decreto de Segurança e Imigração, principal bandeira de Salvini para combater a crise no Mediterrâneo.

O decreto está em vigor desde o ano passado e aboliu a permissão de estadia por motivos humanitários, além de permitir a expulsão sumária de solicitantes de refúgio envolvidos em crimes, mas uma nova versão está na mesa do governo para endurecer ainda mais as políticas migratórias do país.

Essa atualização ainda não foi divulgada oficialmente, mas rascunhos que circulam nos jornais italianos preveem multas de até 50 mil euros para navios que violarem a proibição de entrar em águas italianas.

"As observações foram invasões de campo indevidas em um período pré-eleitoral", diz a carta enviada por Salvini a Conte e Moavero. O ministro ainda pede para ser informado sobre o tamanho da contribuição italiana para o orçamento da ONU.

"Trata-se de uma indevida ingerência na atividade política e normativa de nosso governo, originada de posições ideológicas pré-concebidas e da proximidade a ambientes intolerantes com o novo curso tomado nas políticas migratórias nacionais", acrescenta Salvini.

O ministro sugere a Conte uma iniciativa "forte e unitária" para responder às Nações Unidas. "Somente uma dura tomada de posição por parte do governo poderia acompanhar uma resposta para reiterar com força a linha estratégica assumida na política migratória do país", conclui.

A ação de Salvini chega três dias após a vitória de seu partido, a ultranacionalista Liga, nas eleições para o Parlamento Europeu. O ministro já deixou claro que pretende forçar sua agenda no governo e aumentar a pressão sobre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que busca uma postura mais moderada. (ANSA)

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