BC da Itália alerta governo sobre aumento da dívida pública

Declaração foi dada na reunião anual da instituição em Roma

BC da Itália alerta governo sobre aumento da dívida pública (foto: ANSA)
10:52, 31 MaiROMA ZCC

(ANSA) - O Banco Central da Itália emitiu um alerta nesta sexta-feira (31) no qual revela que a dívida pública do país neste ano pode sofrer um aumento superior ao previsto pelo governo italiano.
    Segundo o presidente do banco, Ignazio Visco, a Itália precisa urgentemente de uma estratégia "confiável" para cortar uma dívida pública que arrisque impor uma "restrição severa" à economia. A declaração foi dada na reunião anual da instituição em Roma e ressalta que a porcentagem da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país pode ser superior a previsão de 132,6%.Visco observou que a meta de 2019 depende parcialmente do levantamento de 18 bilhões de euros em receita de privatizações.
    De acordo com estimativas oficiais, a Itália encerrará 2019 com um rombo fiscal de cerca de 43 bilhões de euros, o que equivale a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB). O índice era considerado inadmissível por Bruxelas. O rombo fiscal impede o país da bota de reduzir sua dívida pública, superior a 130% do PIB e que é uma das maiores do mundo. "A alta relação de dívida e PIB continua sendo uma restrição severa. Não deve haver atraso na definição de uma estratégia rigorosa e viável para sua redução no médio prazo", acrescentou Visco. O relatório anual da instituição é publicado numa altura em que a tensão entre Bruxelas e Roma em torno do déficit italiano foi reacendida. Na última quinta-feira (29), a Comissão Europeia enviou uma carta ao governo da Itália pedindo esclarecimentos sobre a trajetória de alta do déficit fiscal e da dívida pública do país. A correspondência foi enviada ao ministro da Economia, Giovanni Tria, e deve ser respondida ainda hoje. "Os esforços da Itália para melhorar suas finanças públicas exigem que ela contenha seus custos de empréstimos", ressaltou Visco.
    "A tensão no mercado de títulos do governo está reduzindo as perspectivas de crescimento", disse o presidente do Banco Central.
    Após o alerta, o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, avaliou o documento. "O relatório do Banco da Itália é bom, confirmando a necessidade de um choque fiscal para reiniciar a economia italiana. O imposto fixo é a primeira reforma que o governo e o Parlamento terão que discutir", disse.
    Na última terça-feira (28), o vice-premier italiano afirmou que concluiu a proposta da chamada "flat tax", que criará uma alíquota única para o imposto de renda. A medida é um dos pilares do programa de governo da ultranacionalista Liga, mas enfrenta resistência de seu aliado de governo, o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que teme que o projeto aumente o abismo entre o rico norte e o empobrecido sul da Itália. (ANSA)

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