Premier da Itália ameaça renunciar por briga entre partidos

Conte participou de coletiva na sede do governo em Roma

Premier da Itália ameaça renunciar por briga entre partidos (foto: ANSA)
17:54, 03 JunROMA ZCC

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, ameaçou deixar o cargo em decorrência da série de brigas entre o partido ultranacionalista Liga e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que formam a coalizão que governa o país europeu. 

“As duas forças políticas devem estar cientes de suas tarefas. Se não ocorrer uma clara assunção de responsabilidade e os compromissos não forem coerentes, estou pronto para colocar meu cargo nas mãos do presidente da República”, disse Conte durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (3) no Palazzo Chigi, sede do governo em Roma.

O premier ainda pediu para a coalizão dar uma “resposta clara, inequívoca e rápida” sobre se querem manter a atual parceria.

Conte deu um ultimato aos partidos do ministro do Interior da Itália e vice-premier, Matteo Salvini, (Liga) e ao do ministro do Trabalho e também vice-premier, Luigi Di Maio, (M5S) após as tensões entre ambos se intensificarem nos últimos meses, e revelou ser fundamental que haja uma “colaboração leal” entre eles.

O italiano, no entanto, insistiu para as duas forças políticas “saírem da campanha eleitoral permanente”. “Se continuarmos com polêmicas por meio das redes sociais, não podemos trabalhar”, alertou.

“É preciso ter uma visão, ‘likes’ não são suficientes. Temos que traçar o futuro do país, que é algo mais que agradar as multidões em lugares públicos ou conseguir ‘likes’ nas redes sociais”, lamentou.

Além disso, Conte também solicitou que a Liga e o M5S não interfiram na “delicada interlocução” que ele e o ministro de Economia e Finanças da Itália, Giovanni Tria, tem mantido com a Comissão Europeia na tentativa de evitar a abertura de um processo de infração.

Nas últimas semanas, Salvini afirmou que Bruxelas não deveria enviar “cartinhas” à Itália. A declaração foi dada após a Comissão Europeia dizer que o governo italiano não fez “progressos suficientes” para controlar sua dívida, hoje superior a 130% do PIB e a segunda maior da zona do euro, atrás da Grécia.

Tria, por sua vez, respondeu aos questionamentos da UE sobre as projeções de aumento do déficit fiscal e da dívida pública e aguarda a análise do documento, que deve ser revelada até a próxima quarta-feira (5).

A nova crise chegou no momento em que Salvini tenta fazer o governo aprovar um corte de 30 bilhões de euros no imposto de renda. A medida é vista como essencial pelo ministro do Interior, mas preocupa por poder agravar a crise na Itália.

Para Conte, os ministros italianos “não podem intervir com provocações e gerando polêmica”. Além disso, Di Maio e Salvini precisam se concentrar “em suas matérias sem se intrometer nas áreas que não são da sua competência”.

O primeiro-ministro lembrou aos jornalista que seu governo enfrentou um processo orçamentário para 2020 complexo, justamente por isso a Itália necessita da confiança dos mercados financeiros.

“A próxima manobra terá que manter um balanço de contas porque as regras europeias permanecem em vigor até que possamos mudá-las", ressaltou.

Durante a coletiva, Salvini, por sua vez, publicou uma mensagem no Twitter dizendo que deseja continuar no governo. “Estamos prontos, queremos avançar e não temos tempo a perder. A Liga está dentro”, escreveu.

Di Maio, no entanto, ainda não respondeu ao pedido do premier italiano. A disputa no país se intensificou desde as eleições europeias, no final de maio, quando a Liga foi o partido do país mais votado, com 34% dos votos.

“As eleições europeias foram muito ásperas e muito duras, tanto que se projetou uma imagem que o governo estava em ponto morto. Isto não corresponde com a realidade, o governo esteve trabalhando continuamente”, finalizou. (ANSA)

 

 

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