Pressionada pela UE, Itália tenta resolver dívida estatal

País corre o risco de sofrer uma infração imposta por Bruxelas

Luigi di Maio e Matteo Salvini após reunião no Palácio Chigi sobre dívida italiana
Luigi di Maio e Matteo Salvini após reunião no Palácio Chigi sobre dívida italiana (foto: ANSA)
09:17, 11 JunROMA ZBF

(ANSA) - A cúpula do governo da Itália se reuniu na noite de ontem (10) para discutir soluções para o endividamento estatal, já que o país está sendo pressionado pela União Europeia para reduzir seu déficit de 132% do Produto Interno Bruto (PIB).

Bruxelas ameaça abrir um procedimento de infração contra a Itália pela dívida excessiva, alegando que o país não respeitou as normas fiscais do bloco para os anos de 2018, 2019 e 2020. Caso aprovada pelos ministros europeus de Finanças, a infração pode resultar em multas bilionárias à Itália.

O primeiro-ministro Giuseppe Conte e os vices Matteo Salvini, da Liga Norte, e Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas (M5S), reuniram-se no Palácio Chigi até tarde da noite para analisar propostas econômicas. O trio definiu o encontro como "positivo", apesar do clima de embate registrado nos últimos meses entre a Liga Norte de Salvini, o M5S de Di Maio e o próprio Conte.

"Estou absolutamente confiante na capacidade de diálogo, tanto do nosso governo quanto da Comissão Europeia: um procedimento de infração seria extremamente danoso para as perspectivas de crescimento do nosso país e para a zona d euro", disse Conte.

O governo italiano, porém, nega-se a adotar medidas econômicas restritivas, como a União Europeia indicou que a Grécia fizesse no auge da sua crise, há cerca de oito anos. Roma aposta suas fichas nas previsões de crescimento econômico para alavancar as atividades do país e reduzir o endividamento estatal.

 "O trabalho do governo é o de concordar com os parceiros europeus para um percurso factível de redução do débito, de sustentabilidade social sem fazer manobras recessivas, as quais seriam uma contradição à agenda de crescimento adotada no ano passado", afirmou Conte, negando a possibilidade de aumentar impostos.

"O objetivo comum é garantir o crescimento, o direito ao trabalho e a redução dos impostos. Não haverá nenhuma manobra corretiva e nenhum aumento de impostos", garantiu, por sua vez, Salvini, conhecido por sua posição política populista.

"Na minha opinião, não devemos nem falar de manobras restritivas. Neste momento, estamos trabalhando em uma nova lei de Orçamento e colocando nela as coisas que interessam aos italianos, como salário mínimo", acrescentou Di Maio.

De acordo com o Pacto de Estabilidade de Maastricht da União Europeia, só é permitida uma dívida total de 60% do PIB e um endividamento adicional de 3% por ano. Caso ultrapasse esses limites, o país-membro deve adotar estratégias contrárias de longo prazo, a fim de reduzir o endividamento. No entanto, o débito italiano é de 134% do PIB, o quarto maior do mundo em termos relativos e o segundo maior na área da moeda comum, atrás apenas da Grécia.

"Não sei prever o futuro, mas não acredito que a [UE] irá até o fim [na ameaça de infração]", comentou o representante do M5S. "O objetivo não é ir contra a União Europeia, mas sim, reduzir os impostos e melhorar a condição dos italianos", acrescentou Di Maio. (ANSA)

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