Refugiados representam 0,48% da população da Itália

Com ações antimigrantes, país não está entre quem mais acolhem

Solicitantes de refúgio protestam contra desalojamento em Roma, na Itália, em 25 de agosto de 2017
Solicitantes de refúgio protestam contra desalojamento em Roma, na Itália, em 25 de agosto de 2017 (foto: ANSA)
14:34, 19 JunSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), divulgado nesta quarta-feira (19), revela que a Itália abrigava 294.867 deslocados internacionais no fim de 2018.

Em termos absolutos, essa é a 21ª maior população de refugiados e solicitantes de refúgio em todo o mundo e a terceira maior da Europa, atrás de Alemanha (1,43 milhão) e França (457.426). Em termos relativos, no entanto, a Itália aparece apenas na 49ª posição.

Uma comparação dos dados do Acnur com índices populacionais compilados pelo Banco Mundial e relativos a 2017 mostra que o número de refugiados e solicitantes de refúgio equivale a 0,48% do total de habitantes do país.

Para efeito de comparação, o Líbano, que lidera a lista, tem um índice de 15,88%, e as seis nações que aparecem na sequência são emergentes ou subdesenvolvidas: Nauru (10,70%), Jordânia (7,91%), Turquia (4,94%), Chade (3,05%) e Djibuti (3%).

O país rico que mais abriga deslocados internacionais em termos proporcionais é a Suécia, com um contingente de 2,84% da população. A Itália, cujo governo fechou os portos para ONGs que atuam no Mediterrâneo com o argumento de conter uma "invasão" de migrantes, não aparece sequer entre as 10 primeiras da União Europeia.

Considerando apenas os Estados-membros do bloco, a Suécia é seguida por Malta (2,23%), Áustria (1,88%), Chipre (1,80%), Alemanha (1,73%), Grécia (1,27%), Dinamarca (0,68%), França (0,68%), Holanda (0,66%), Luxemburgo (0,59%) e Bélgica (0,54%). A Itália é a 12ª colocada.

Apesar de ser uma grande porta de entrada para deslocados internacionais na UE, a Itália acaba servindo apenas de passagem para essas pessoas, que frequentemente tentam seguir viagem para o norte da Europa.

Os 294.867 deslocados externos da Itália se dividem em 189.243 refugiados e 105.624 solicitantes de refúgio. Quando se leva em conta apenas o contingente de pessoas aguardando análise de pedidos de refúgio, a Itália é a sétima colocada no mundo, atrás de Estados Unidos (718.994), Alemanha (369.284), Turquia (311.719), Peru (230.871), África do Sul (184.203) e Brasil (152.690).

"Na Itália há um número muito baixo de pessoas que chegam por mar, algumas por terra. Estamos na ordem de 2 mil ou 3 mil pessoas. Não se pode dizer que haja uma crise na Europa. A crise está nos lugares de onde os refugiados fogem, e o escândalo é que ainda hoje os países mais pobres acolham o dobro dos países ricos", disse a porta-voz do Acnur para o Sul da Europa, Carlotta Sami.

De acordo com o Ministério do Interior da Itália, 2,2 mil migrantes forçados desembarcaram nos portos do país em 2019, queda de 86,38% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os principais países de origem são Tunísia (407), Paquistão (358), Iraque (252), Argélia (250), Costa do Marfim (158) e Bangladesh (145). (ANSA)

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