Ministro diz que acordo UE-Mercosul prejudica italianos

Gian Marco Centinaio criticou "desequilíbrio" do tratado

Gian Marco Centinaio (direita) em audiência no Parlamento ao lado do ministro do Interior Matteo Salvini
Gian Marco Centinaio (direita) em audiência no Parlamento ao lado do ministro do Interior Matteo Salvini (foto: ANSA)
11:26, 04 JulROMA ZLR

(ANSA) - O ministro das Políticas Agrícolas da Itália, Gian Marco Centinaio, fez eco às preocupações dos agricultores do país e afirmou que o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul é "desequilibrado em prejuízo de italianos e europeus".

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (3), Centinaio afirmou que é favorável à abertura dos mercados, mas disse que não está "satisfeito" com as negociações entre os dois blocos.

"Somos favoráveis à abertura dos mercados, desde que isso aconteça com um profícuo intercâmbio que não penalize nenhuma das partes", declarou. O ministro exige o reconhecimento de todas as denominações de origem protegida (DOP) e indicações geográficas protegidas (IGP) italianas.

Atualmente, a Itália possui 290 produtos DOP e IGP, mas o acordo UE-Mercosul reconhece apenas 57, como os queijos Grana Padano e Parmigiano Reggiano, cujos nomes em italiano não poderão ser usados para batizar itens produzidos em países sul-americanos.

Apesar disso, as denominações "parmesão" e "grana" continuarão permitidas no Brasil, enquanto os países hispânicos poderão usar o termo "parmesano". Para evitar confusão, o acordo proíbe as versões sul-americanas de usarem imagens que evoquem uma suposta origem italiana, como bandeiras, monumentos e paisagens típicas.

Já no caso do Prosecco, célebre espumante da região do Vêneto, mas que também conta com uma variação brasileira, a UE, segundo fontes de Bruxelas, conseguiu obter a gradual remoção do mercado da denominação pré-existente.

Em sua viagem ao Brasil para a posse de Jair Bolsonaro, em janeiro, Centinaio já havia ironizado produtos brasileiros que remetem à Itália. "Sonoridade italiana no Brasil? Não, obrigado! Apenas 'made in Italy'", escreveu no Twitter. Em outro post, o ministro fotografou produtos brasileiros que reproduzem as cores da bandeira italiana em seus rótulos.

Agricultores

No fim da semana passada, a Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti), que representa o setor agrícola na Itália, já havia criticado o acordo entre UE e Mercosul.

Apesar de as negociações terem durado 20 anos, a entidade disse que o tratado é fruto de um "compromisso intempestivo", já que as instituições europeias serão renovadas nas próximas semanas, como resultado das eleições comunitárias de 23 a 26 de maio.

"Depois do maior escândalo mundial de carne avariada, que envolveu o Brasil, o que preocupa é a liberalização da entrada nas fronteiras europeias de um contingente subsidiado de carne bovina e de uma significativa quantidade de aves, com graves preocupações pelo aspecto sanitário", afirmou a entidade.

A Coldiretti ainda ressaltou que existem "graves acusações de risco alimentar e exploração de trabalho infantil" nos quatro países do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A associação também cita a aprovação recorde de agrotóxicos no governo Bolsonaro.

"No Brasil, desde o início do ano, foram aprovados mais 211 pesticidas [239, segundo a última atualização], muitos dos quais são proibidos na Europa", disse o comunicado, cobrando que todos os produtos em circulação na UE respeitem os mesmos critérios. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA