ONGs voltam ao Mediterrâneo para resgatar migrantes

MSF e SOS Méditerranée atuam em conjunto no navio Ocean Viking

Migrantes resgatados pelo navio Aquarius, das ONGs MSF e SOS Méditerranée, em agosto de 2018
Migrantes resgatados pelo navio Aquarius, das ONGs MSF e SOS Méditerranée, em agosto de 2018 (foto: ANSA)
13:03, 22 JulPARIS ZLR

(ANSA) - As ONGs Médicos Sem Fronteiras e SOS Méditerranée anunciaram a retomada de suas operações de resgate perto da costa da Líbia, no Mar Mediterrâneo Central, após mais de seis meses de paralisação em suas atividades de socorro.

As entidades usaram até o fim do ano passado o navio Aquarius, apreendido na França por supostas irregularidades no armazenamento de resíduos tóxicos e que não conseguiu mais registro para navegar.

Já a nova embarcação se chama Ocean Viking, tem bandeira da Noruega e segue rumo ao Mediterrâneo com uma equipe de 31 tripulantes, incluindo 13 socorristas marítimos da SOS Méditerranée e nove membros da MSF.

"A ausência prolongada de iniciativas dos Estados europeus para criar um mecanismo de salvamento duradouro, compartilhado e previsível obriga a sociedade civil a voltar ao mar para salvar vidas", disse a fundadora da SOS Méditerranée, Sophie Beau, em uma coletiva de imprensa em Paris, na França, nesta segunda-feira (22).

Um dia antes, a presidente da MSF na Itália, Claudia Lodesani, já havia dito que a ONG não ficaria "em silêncio" enquanto "pessoas vulneráveis enfrentam sofrimentos evitáveis". As entidades humanitárias do Mediterrâneo criticam sobretudo o esvaziamento das missões europeias e italianas de socorro no mar, o que aumentou a letalidade das "viagens da morte".

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a proporção de pessoas que morrem na travessia entre o norte da África e a Itália ou Malta subiu de 3,2% em 2018 para 4,7% em 2019.

Na entrevista desta segunda, a vice-diretora de operações da SOS Méditerranée, Louise Guillaumat, garantiu que não "forçará" a entrada em águas territoriais da Itália, mas também disse que a ONG não levará migrantes socorridos para a Líbia, onde existem inúmeras denúncias de violações dos direitos humanos.

No fim de junho, a capitã do navio Sea Watch 3, a alemã Carola Rackete, chegou a ser presa por entrar sem autorização em Lampedusa, ilha italiana situada a cerca de 100 quilômetros da África.

Reunião

Enquanto isso, 15 Estados-membros da União Europeia se reúnem nesta segunda-feira, em Paris, para tentar chegar a um acordo sobre as políticas migratórias do bloco.

Alemanha e França lideram a campanha para a criação de um mecanismo permanente de redistribuição de solicitantes de refúgio na UE, mas são contra a revisão do princípio que determina o desembarque de pessoas socorridas no mar no porto seguro mais próximo, como pedem Itália e Malta. (ANSA)

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