Salvini aumenta pressão e insiste em novas eleições na Itália

Com racha no governo, aliança com M5S está em xeque

Salvini aumenta pressão e insiste em novas eleições na Itália
Salvini aumenta pressão e insiste em novas eleições na Itália (foto: Ansa)
18:35, 08 AgoROMA ZCC

(ANSA) - O vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, reiterou na tarde desta quinta-feira (8) ao primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, seu desejo de ir ao Parlamento para convocar eleições antecipadas, já que o governo não consegue mais formar maioria.

"Vamos imediatamente ao Parlamento para reconhecer que já não há maioria, como é evidente a partir da votação sobre o TAV [trem de alta velocidade], e rapidamente devolver a palavra aos eleitores", escreveu Salvini em nota.

A decisão do líder da extrema direita foi tomada um dia depois que uma tentativa do Movimento 5 Estrelas (M5S) de inviabilizar a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade fracassou e demonstrou que a coalizão não poderia mais governar, de acordo com o ministro.

Segundo fontes ouvidas pela imprensa italiana, Salvini quer ir ao "voto o mais rápido possível" e a ideia é disputar sozinho, sem alianças com outros partidos. Para o líder da Liga, a relação de confiança foi interrompida e "há o reconhecimento de que o governo não pode mais continuar porque não pode mais fazer as coisas", explicaram.

Já o vice-premier pelo lado do M5S, Luigi Di Maio, disse que seu partido não teme outra eleição. Durante entrevista perto do Palazzo Chigi, ele afirmou estar tranquilo com a situação e "pronto para votar", principalmente porque "a Liga se divertiu com o país".

"Estou calmo, estamos trabalhando para o país. Há conversas em andamento, mas eu sou pago para trabalhar para os italianos", ressaltou Di Maio.

O partido de Salvini, no entanto, está bem à frente nas pesquisas de opinião, principalmente devido à sua posição contra a imigração ilegal. Na eleição do ano passado, o M5S chegou a receber o dobro de votos, mas as pesquisas sugerem que as proporções foram revertidas.

A continuidade da aliança entre os partidos Liga Norte e o M5S, que compõem o governo desde meados de 2018, foi colocada em xeque depois que o Senado rejeitou uma moção apresentada pelo M5S para barrar o projeto do trem de alta velocidade de Turim a Lyon.

Hoje cedo, Conte se reuniu por mais de uma hora com o presidente Sergio Mattarella para analisar a crise política que afeta o país. Ele, inclusive, declarou que já deixou claro para Salvini que irá assegurar que esta crise desencadeada seja "a mais transparente da história da vida republicana".

Pelo lado da oposição, o secretário nacional do Partido Democrático (PD), Nicola Zingaretti, aproveitou a polêmica para afirmar que está pronto para o desafio em caso de novas eleições.

"Na próxima eleição, não apenas decidiremos qual governo, mas também o destino da nossa democracia, da posição internacional do nosso país. O Partido Democrático apela a todas as forças que pretendem impedir ideias e personagens perigosos", escreveu em sua conta no Facebook.

Para o ex-premier Matteo Renzi, "este governo falhou e falhou antes do esperado". "O tempo é um cavalheiro, a verdade vem. E fizemos bem em sermos coerentes com nossas ideias". (ANSA)

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