Trem da discórdia: TAV cria racha no governo da Itália

Fontes em Roma já cogitam novas eleições em outubro

Fontes em Roma já cogitam novas eleições em outubro
Fontes em Roma já cogitam novas eleições em outubro (foto: ANSA)
19:21, 07 AgoROMA ZBF

(ANSA) - A construção de uma linha de trem de alta velocidade (TAV) entre Turim, na Itália, e Lyon, na França revelou nesta quarta-feira (7) divisões que podem comprometer a continuidade do governo italiano. Os partidos Liga Norte, de Matteo Salvini, e Movimento 5 Estrelas (M5S), de Luigi di Maio, já vinham se estranhando em vários projetos de lei apresentados nos últimos meses e trocando críticas e alfinetadas em público.

No entanto, na manhã de hoje, a crise se agravou. O M5S, que é contrário ao projeto de construção do TAV, defendido por Salvini, tentou apresentar uma moção de oposição à obra no Senado. Mas a moção foi rejeitada. E todas as outras moções, mesmo da oposição, foram aprovadas com o apoio da Liga.

A Liga se viu obrigada a votar contra a moção do M5S, que tinha como objetivo frear o projeto do TAV devido aos impactos ambientais, e apoiar uma outra moção da oposição, favorável à obra. Durante toda a sessão no Senado, Salvini e Di Maio evitaram contato e não se cumprimentaram.

"A sessão demonstrou de maneira absolutamente evidente que o governo não tem mais maioria", disse uma nota do secretário nacional do Partido Democrático (PD), Nicola Zingaretti, da oposição. "A Itália precisa de empregos, desenvolvimento, investimentos e de um governo que se dedique a isso, e não às brincadeiras de Salvini e Di Maio contra os italianos", criticou o PD.
   

O governo italiano foi formado em junho de 2018 graças a um pacto entre o M5S e a Liga Norte. Apesar de terem posições políticas diferentes, as duas legendas, que foram as mais votadas nas últimas eleições, decidiram se unir e apoiar a nomeação do primeiro-ministro Giuseppe Conte.
   

Com a possibilidade dessa aliança ter se rompido, a oposição começou a exigir nesta quarta-feira que Conte se reúna com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, para colocar o chefe de Estado a par da situação. Vozes dentro do governo já cogitam a realização de novas eleições em outubro. Salvini, que é vice-premier e ministro do Interior da Itália, cancelou sua agenda de hoje e amanhã em outras cidades para lidar com a crise em Roma. E Di Maio parece não se arrepender da decisão do M5S no Senado.
   

"Quaisquer que sejam as consequências, estamos orgulhosos pelo nosso 'não' a uma obra como a de Turim-Lyon. Uma obra velha, de 30 anos atrás, sem futuro. Uma obra que somente Bruxelas e [o presidente da França, Emmanuel] Macron querem", disse Di Maio.
    (ANSA)

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