Salvini com Berlusconi, M5S com PD: As negociações para um novo governo na Itália

Premier Giuseppe Conte deve comparecer ao Senado no dia 20

Premier Giuseppe Conte deve comparecer ao Senado no dia 20
Premier Giuseppe Conte deve comparecer ao Senado no dia 20 (foto: ANSA)
20:02, 12 AgoROMA E SÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O líder do partido de extrema-direita Liga Norte, Matteo Salvini, sinalizou a possibilidade de uma coalizão com a legenda de centro-direita Força Itália (FI), do ex-premier Silvio Berlusconi, na formação de um novo governo italiano.

"Peço a Berlusconi e a Meloni [Giorgia, do partido Irmãos da Itália] de irem além da velha centro-direita", disse Salvini em uma entrevista ao diário "Il Giornale". "Nas próximas horas, encontrarei Berlusconi e Meloni e irei propor um pacto", anunciou.

A Itália vive desde a semana passada um clima de instabilidade política devido ao racha entre a Liga Norte e o Movimento 5 Estelas (M5S), de Luigi di Maio, que formavam o governo italiano desde junho de 2018.

Com a aliança entre M5S e Liga Norte desfeita, a Itália tem duas possibilidades nesse momento. A primeira é que o atual primeiro-ministro, Giuseppe Conte, apresente sua renúncia imediatamente. A segunda, e mais provável, é que enfrente uma moção de desconfiança no Parlamento.

Se receber o aval dos parlamentares, Conte pode continuar no cargo, mas com uma nova configuração do governo, de caráter institucional, técnico ou de transição. Sem o apoio, ele deve se afastar e o presidente Sergio Mattarella decidirá se convoca novas eleições.

Analistas políticos previam que Salvini tentaria compor um governo sozinho, mas o político nacionalista sinalizou uma abertura ao Força Itália e ao Irmãos da Itália, uma aliança que, se concretizada, garantiria uma maioria sólida ao expoente da Liga Norte.

Já o M5S ameaça um flerte com o esquerdista Partido Democrático (PD), do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi. No entanto, divisões internas em ambos os partidos travam as negociações.

O líder do M5S, Luigi di Maio, anunciou hoje (12) que não quer "se sentar à mesa com Renzi", mas não excluiu totalmente a chance de se aliar ao PD sem a participação do ex-premier. Já o secretário do PD, Nicola Zingaretti, deixou claro ser contrário a uma aliança com os grillinos.

"Todo o Partido Democrático nestes últimos longos meses excluiu qualquer hipótese de acordo com o M5S", escreveu Zingaretti em seu blog no "Huffington Post". Durante o governo do PD, o M5S foi um dos maiores opositores.

Já Renzi, por sua vez, não descarta sair do partido e fundar um novo movimento, o qual já teria até nome, "Ação Civil", que tentaria compor um novo governo sem convocar eleições.

Nesse ponto, Di Maio e Renzi concordam. Ambos alegam que realizar eleições no segundo semestre causaria prejuízos à Itália, atrapalhando a agenda parlamentar, que prevê a análise a votação de temas sensíveis, como o orçamento. Um pleito em outubro, como o cogitado por fontes políticas, faria com que a Itália ficasse estagnada até 2020.

Agenda

Esta segunda-feira (12) tem sido tratada como "o dia mais quente" do ano para a legislatura italiana. Em plena semana do feriado de "Ferragosto", o maior da Itália, os líderes de partido no Parlamento se reuniram para decidir o calendário político. De acordo com fontes locais, ficou estabelecido que o primeiro-ministro Giuseppe Conte terá que comparecer ao Senado no dia 20 para enfrentar a moção de desconfiança.

Porém, o calendário acordado hoje, sem consenso dos líderes dos partidos, só valerá se for aprovado em plenário pelo Senado. Portanto, os senadores foram convocados para às 18h de terça-feira (13). (ANSA)

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