Nova ministra italiana é alvo de ataques sexistas

Teresa Bellanova foi criticada por causa de seu vestido

Teresa Bellanova toma posse como ministra da Agricultura da Itália
Teresa Bellanova toma posse como ministra da Agricultura da Itália (foto: ANSA)
13:31, 06 SetROMA ZLR

(ANSA) - Uma das ministras do novo governo da Itália, que tomou posse na última quinta-feira (5), virou alvo de ataques sexistas logo em seu primeiro dia no cargo.

Nomeada pelo premier Giuseppe Conte para chefiar o Ministério da Agricultura, Teresa Bellanova, 61 anos, foi criticada por conta da roupa com a qual se apresentou na Presidência da República, em Roma, para a cerimônia de posse: um vestido azul de babados.

"Carnaval? Halloween?", ironizou no Twitter o ex-deputado conservador Daniele Capezzone. "Imagine encontrá-la de noite", escreveu no Facebook o prefeito de Locorotondo, o também conservador Tommaso Scatigna, que depois se desculpou.

Em resposta ao post de Capezzone, alguns internautas usaram termos como "baleia azul" e "gorda" para definir Bellanova. Em seu perfil no Twitter, a ministra rebateu as críticas e disse que a "verdadeira elegância é respeitar o próprio estado de ânimo".

"Ontem me sentia entusiasmada, azul elétrica e com babados, e assim me apresentei. Sincera como uma mulher", disse. Políticos da esquerda à direita também saíram em sua defesa. "Gostaria de falar uma coisa a quem ironiza as características físicas (quase sempre sobre mulheres, por que será?). Desejo que vocês sintam ao menos uma vez as emoções de beleza e estupor que as pessoas vivem quando ouvem Teresa, sua paixão, sua história", disse o ex-primeiro-ministro e senador Matteo Renzi.

Já a vice-presidente da Câmara dos Deputados Mara Carfagna, expoente do Força Itália, partido de Silvio Berlusconi, afirmou que quem insulta Bellanova por sua roupa e seu aspecto "deve se envergonhar". "A ministra demonstrou empenho e competência desde a mais jovem idade", acrescentou.

História

Integrante do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, Bellanova é originária de uma família pobre da Puglia, no sul da Itália, e nunca completou os estudos na escola. Aos 14 anos, começou a trabalhar no campo e foi vítima de exploração, assim como tantos outros jovens da época.

As condições de trabalho a levaram para a vida sindical, onde galgou postos até chegar à secretaria nacional da Federação Italiana dos Trabalhadores Têxteis (Filtea), ligada à Confederação-Geral Italiana do Trabalho (Cgil), em 2000.

Bellanova também foi deputada entre abril de 2006 e março de 2018, mês em que se elegeu senadora pelo PD. Além disso, ela já exerceu os cargos de subsecretária do Ministério do Trabalho (2014-2016) e vice-ministra do Desenvolvimento Econômico (2016-2018).

Apesar do histórico sindical, Bellanova defendeu a reforma trabalhista de Renzi, apelidada de "Jobs Act" e que flexibilizou as regras para demissões sem justa causa. A medida foi fortemente combatida por sindicatos e pela esquerda do PD, o que quase derrubou o governo na ocasião. (ANSA)

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