Itália estuda nacionalizar maior siderúrgica da Europa

ArcelorMittal anunciou decisão de saír do país

Operário em atividade na unidade da ArcelorMittal em Taranto, sul da Itália
Operário em atividade na unidade da ArcelorMittal em Taranto, sul da Itália (foto: ANSA)
18:17, 07 NovROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, admitiu nesta quinta-feira (7) que o governo estuda nacionalizar a ArcelorMittal no país para evitar o fim das atividades no maior complexo siderúrgico da Europa.

Fundada com o nome de Ilva, em 1905, a empresa foi vendida no fim de 2018 para a ArcelorMittal, após uma intervenção do governo. Seu objetivo era modernizar o sistema produtivo da siderúrgica e adequá-la às normas ambientais atuais, mas agora a multinacional diz que não quer mais o negócio.

"Estamos avaliando todas as alternativas possíveis, mas agora não tem sentido falar disso. Espero uma proposta do senhor [Lakshmi] Mittal e gostaria de encontrá-lo", disse Conte no programa "Porta a Porta", ao ser questionado se o governo considerava nacionalizar a ex-Ilva.

A decisão da ArcelorMittal de se retirar da Itália coloca em risco 10,7 mil postos de trabalho, sendo 8,2 mil apenas na unidade de Taranto, o maior complexo siderúrgico da Europa. A cidade fica na região da Puglia, no sul do país, que já sofre com taxas de desemprego acima da média nacional.

A multinacional usa como justificativa para a desistência a decisão do Parlamento de revogar o "escudo penal" que permitia que a ex-Ilva continuasse poluindo acima dos níveis permitidos até que se adequasse às normas atuais.

O governo, no entanto, alega que a ArcelorMittal está usando o "escudo penal" como álibi para se desfazer de um negócio que não parece mais tão lucrativo. Em uma reunião em Roma na última quarta (6), a multinacional propôs demitir 5 mil pessoas para manter a ex-Ilva em funcionamento.

Para ficar na Itália, a ArcelorMittal também exige reduzir a produção de seis para quatro milhões de toneladas por ano. Conte, por sua vez, afirmou que as condições impostas pela empresa são "inaceitáveis". "Não se pode assinar um acordo e rasgá-lo depois de 10 meses. Aquela empresa [ArcelorMittal] nunca teve a intenção de produzir", reforçou o ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Stefano Patuanelli.

Em uma conferência com analistas nesta quinta, Lakshmi Mittal, CEO da multinacional, disse que o mercado está "difícil", com o preço do aço "em baixa" e custos de matéria-prima "elevados". "Nossa prioridade é reduzir as despesas", acrescentou.

Os sindicatos farão uma greve de 24 horas em todas as unidades da ArcelorMittal na Itália nesta sexta-feira (8). (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA