Sobrevivente de Auschwitz é colocada sob escolta na Itália

A senadora Liliana Segre, 89 anos, é alvo de ameaças

Liliana Segre é senadora vitalícia desde janeiro de 2018
Liliana Segre é senadora vitalícia desde janeiro de 2018 (foto: ANSA)
18:41, 07 NovMILÃO ZLR

(ANSA) - O Ministério do Interior da Itália designou nesta quinta-feira (7) uma escolta para proteger a senadora vitalícia Liliana Segre, 89 anos, sobrevivente do campo de extermínio nazista de Auschwitz.

A decisão foi tomada por causa das ameaças digitais que Segre vem recebendo nas últimas semanas. Além disso, na terça-feira passada (5), militantes do partido neofascista Força Nova expuseram uma faixa contra a senadora em frente a um local em Milão onde ela conversaria com estudantes sobre o Holocausto.

"Sala ordena, a antifa [antifascista] age, e o povo sofre", dizia o manifesto, também em referência a Giuseppe Sala, prefeito da capital da Lombardia.

A partir de agora, Segre será acompanhada por dois policiais à paisana em todos os seus deslocamentos. A decisão de colocar a senadora sob escolta foi tomada pelo prefeito da província de Milão, Renato Saccone, subordinado ao Ministério do Interior.

Em seu perfil no Twitter, o embaixador de Israel em Roma, Dror Eydar, expressou "consternação" pelas ameaças contra Segre. "Uma sobrevivente de 89 anos sob escolta simboliza o perigo que a comunidade judaica ainda corre na Europa", disse.

Segre foi nomeada senadora vitalícia pelo presidente Sergio Mattarella em janeiro de 2018. Nascida em Milão, em 10 de setembro de 1930, de uma família laica judia, ela tinha apenas 13 anos quando foi deportada para Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Ao chegar ao campo de extermínio, Segre foi separada do pai, com quem não voltaria mais a se reunir. Com o número 75.190 tatuado no braço, a jovem fez trabalhos forçados em uma fábrica de munições e, em janeiro de 1945, participou da chamada "marcha da morte", a transferência de prisioneiros da Polônia para a Alemanha.

Segre foi libertada em maio daquele mesmo ano pelo Exército soviético e passou a viver com os avós maternos, os únicos sobreviventes da família. Segundo a senadora, ela ainda recebe cerca de 200 mensagens de ódio por dia nas redes sociais. (ANSA)

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