Inundação mata 2 e deixa Veneza em estado de emergência

Cidade italiana registrou maior nível de água em mais de 50 anos

Inundação mata 2 e deixa Veneza em estado de emergência (foto: ANSA)
12:34, 13 NovVENEZA ZCC

(ANSA) - A cidade de Veneza amanheceu nesta quarta-feira (13) em estado de emergência após registrar sua maior inundação desde 1966 na noite passada, com o fenômeno da "acqua alta" ("água alta", em tradução livre) atingindo 187 centímetros acima do nível médio.

De acordo com as autoridades, pelo menos duas pessoas morreram na ilha de Pellestrina enquanto a tempestade assolava a região. Um homem de 78 anos foi eletrocutado ao tentar reiniciar as bombas elétricas em sua residência. Já a segunda vítima foi encontrada morta dentro da própria casa. Ainda não se sabe a causa do óbito.

A segunda maior enchente já registrada em Veneza, atrás apenas dos 194 centímetros marcados na inundação de 4 de novembro de 1966, provocou diversos danos pela cidade italiana.

Segundo a polícia municipal, toda a cripta da Basílica de São Marcos está submersa. Além disso, dentro da igreja foi registrado um pico de 110 centímetros de água. Especialistas temem danos graves provocados pelo sal na estrutura.

Nesta manhã, por volta das 9h30 (horário local), a medição feita por sensores instalados na Punta della Dogana, na margem oposta à Praça San Marco, registrou uma maré de 144 centímetros acima do nível médio da água, revelaram dados da Prefeitura.

O pico de hoje chegou em 160 centímetros, mas os registros informam que a maré alta desacelerou seu crescimento devido a um fenômeno de oscilação do próprio mar.

"Veneza está de joelhos. A Basílica de São Marcos sofreu sérios danos como toda a cidade e as ilhas. Estamos aqui com o patriarca [da cidade], dom Francesco Moraglia, para trazer nosso apoio, mas precisamos da ajuda de todos para superar esses dias que estão nos colocando à prova", escreveu o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, no Twitter.

Para o político, a enchente "deixará uma marca permanente" na região, porque "a situação é dramática". "Pedimos ao governo que nos ajude. O custo será alto. Esse é o resultado da mudança climática", acrescentou.

A circulação dos vaporettos, barcos que fazem o transporte público na região, foi limitada. Pelo mens 60 embarcações estão fortemente danificadas. Mesmo assim, pessoas em toda a área continuam passeando pelas águas da enchente.

A inundação ainda atingiu o Teatro La Fenice, que teve suas áreas de serviços invadidas pela água, assim como estabelecimentos e lojas. Linhas telefônicas também foram danificadas. Todas as escolas da cidade permanecem fechadas.

No Museu Ca'Pesaro foram registrados focos de incêndio em decorrência do mau funcionamento da cabine elétrica. Durante toda a noite, os bombeiros trabalharam para apagar o fogo no interior do local.

"Estamos diante de uma devastação apocalíptica e total, mas não estou exagerando com as palavras: 80% das cidades estão submersas, inimagináveis e temerosas", afirmou o governador do Vêneto, Luca Zaia.

O desastre provocou reações dos políticos italianos, incluindo o ex-vice-premier e líder da Liga Norte Matteo Salvini, que defendeu um aporte por parte do governo de um bilhão de euros para auxiliar Veneza. "Uma herança da humanidade que o governo não pode ignorar", afirmou.

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, viajará para Veneza no início desta tarde para acompanhar a situação na região, informaram fontes do Palazzo Chigi, sede do governo.

A expectativa é de que o nível máximo da acqua alta atinja 120 centímetros às 23h35 desta noite. No entanto, a previsão pode sofrer alterações devido as possíveis mudanças repentinas no vento e nas condições do mar Adriático.

Atualmente, a Prefeitura constrói o chamado "sistema Mose", uma rede de barreiras para proteger a cidade de inundações. Já envolvida em escândalos de corrupção, a obra começou em 2003, mas caminha a passos lentos e deve ser concluída apenas em 2021.  (ANSA)

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