Mulher sofre racismo na Itália após perder filha de 5 meses

Caso ocorreu na cidade de Sondrio, extremo-norte do país

Manifestação contra o racismo em Nápoles, sul da Itália
Manifestação contra o racismo em Nápoles, sul da Itália (foto: ANSA)
13:49, 18 DezMILÃO ZLR

(ANSA) - Uma imigrante nigeriana foi alvo de comentários racistas na Itália minutos depois de ter recebido a notícia da morte de sua filha de cinco meses.

O caso ocorreu em Sondrio, cidade do extremo-norte do país e local de residência da mulher. Na manhã de 14 de dezembro, a nigeriana, que tem 22 anos, percebeu que a recém-nascida não estava respirando normalmente e foi para o hospital.

Quando elas chegaram ao pronto-socorro, no entanto, os médicos não conseguiram reverter a parada circulatória e evitar a morte da menina. Ao receber a notícia na sala de espera do hospital, a mulher começou a gritar de sofrimento e, ao invés de receber a solidariedade de outros pacientes, virou alvo de frases racistas.

Segundo o relato de uma jovem que estava no local, Francesca Gugiatti, as pessoas na sala de espera fizeram comentários sobre "ritos tribais" e "satanismo" e até se referiram à nigeriana como "macaca". "Julgamentos, palavras pouco apropriadas, muita maldade. A tristeza começou a me invadir", contou Gugiatti ao jornal Corriere della Sera.

De acordo com ela, o pior comentário foi o de um idoso que disse: "Tanto faz, eles têm um filho por ano". A mãe de Gugiatti, que também estava no hospital, reagiu: "Mas o que você está dizendo? Estamos falando de uma menina morta". A nigeriana não chegou a ouvir as frases racistas.

Por meio de uma nota, o diretório do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) na Lombardia disse que "a sociedade civil está se transformando em algo monstruoso". "Seres não-humanos que ultrajaram com incompreensíveis rancores culturais a morte de uma menina de apenas cinco meses", afirmou o comunicado.

Já Giorgia Meloni, líder do partido de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), declarou sentir "profundo desprezo" pelas pessoas que ofenderam a nigeriana. "Não tenho palavras, que nojo", salientou. (ANSA)

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