Tribunal pede ao Senado para processar Salvini por sequestro

Decisão dependará de uma votação no Senado da República

Matteo Salvini diz que apenas defendeu as fronteiras italianas
Matteo Salvini diz que apenas defendeu as fronteiras italianas (foto: ANSA)
12:47, 18 DezROMA ZLR

(ANSA) - O Tribunal dos Ministros de Catânia pediu autorização ao Senado para instaurar um processo contra Matteo Salvini por sequestro de pessoas, em função de sua ordem para impedir o desembarque de migrantes resgatados pelo navio Gregoretti, pertencente à própria Guarda Costeira da Itália.

O episódio ocorreu em julho passado, quando Salvini era ministro do Interior, vice-premier e responsável pelas políticas migratórias do país. A embarcação salvou 131 pessoas que estavam à deriva em um pesqueiro no Mediterrâneo, mas apenas 15 menores de idade tiveram autorização imediata para desembarcar.

O navio passou cinco dias ancorado no porto militar de Augusta, na Sicília, e os outros 116 migrantes só puderam descer após um acordo com países da União Europeia para redistribui-los. "Salvini abusou de seus poderes, privando de liberdade pessoal 131 migrantes a bordo da unidade naval Gregoretti", diz o ato de acusação do Tribunal de Ministros.

Segundo a corte, ele determinou uma "ilegítima privação da liberdade dos migrantes, obrigados a permanecer a bordo em condições físicas e psicológicas críticas".

Por ser senador da República, o líder do partido de extrema direita Liga tem foro privilegiado, e a abertura do processo depende do aval do Senado. Em março passado, a Câmara Alta engavetou um inquérito semelhante contra o ex-ministro, mas por causa do bloqueio do navio Diciotti, também pertencente à Guarda Costeira e que havia resgatado 177 migrantes no Mediterrâneo.

Na época, no entanto, Salvini fazia parte do governo e contou com o apoio decisivo do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) para escapar. Como o próprio líder da Liga rompeu a aliança e passou para a oposição, o M5S poderia votar de forma diferente desta vez, já que sempre teve como bandeira o fim da imunidade parlamentar.

"Arrisco até 15 anos de cadeia. Acredito que seja uma vergonha um ministro ser processado por ter atendido aos interesses de seu país", declarou Salvini, que também disse que estava apenas "defendendo a segurança e as fronteiras" da Itália.

O líder da Liga já foi alvo de diversas investigações por bloquear navios com migrantes, mas o Tribunal dos Ministros deu sequência apenas àquelas envolvendo embarcações da Guarda Costeira italiana, e não de ONGs. (ANSA)

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