Salvini apresenta defesa contra acusação de sequestro

Ex-ministro disse que decisão de vetar migrantes foi do governo

Matteo Salvini é acusado de sequestro ao bloquear desembarque de migrantes
Matteo Salvini é acusado de sequestro ao bloquear desembarque de migrantes (foto: ANSA)
14:54, 03 JanROMA ZLR

(ANSA) - O ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini disse que agiu no "interesse do país" e contou com apoio do governo para impedir o desembarque de 131 migrantes que haviam sido resgatados por um navio da Guarda Costeira em julho de 2019.

A justificativa está na defesa apresentada pelo líder de extrema direita nesta sexta-feira (3) à Junta de Imunidade Parlamentar do Senado, que analisa um pedido do Tribunal dos Ministros de Catânia para processá-lo por sequestro de pessoas.

Segundo a corte, Salvini "abusou de seu poder" ao impedir o desembarque dos migrantes resgatados pelo navio Gregoretti, embarcação que passou cinco dias ancorada no porto militar de Augusta, na Sicília, embora seja da própria Guarda Costeira italiana.

A maior parte dos deslocados internacionais ficou presa no navio até que Roma fechasse um acordo com outros países da União Europeia. "O acordo de acolhimento havia sido alcançado inclusive com a CEI [Conferência Episcopal Italiana], então é evidente que todo o governo cuidava do assunto", justificou o ex-ministro em sua defesa.

Salvini tenta emplacar a tese de que a decisão de bloquear o Gregoretti foi tomada em concordância com o premier Giuseppe Conte e os ministros do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), seus ex-aliados. "O papel do premier Giuseppe Conte foi relevante", acrescentou.

O chefe de governo e o M5S, no entanto, alegam que a decisão foi tomada por Salvini unilateralmente. O ex-ministro e seu partido, a ultranacionalista Liga, deixaram a base aliada em agosto e foram substituídos no mês seguinte pelo Partido Democrático (PD) e outras siglas de centro-esquerda.

A Junta para Imunidade Parlamentar do Senado prevê votar o parecer sobre a denúncia em 20 de janeiro. Em seguida, o relatório será apreciado pelo plenário do Senado, que tem a decisão final sobre a abertura do processo - como ex-ministro e senador, Salvini tem foro privilegiado.

A tramitação é idêntica à do caso do navio Diciotti, quando o então ministro do Interior foi denunciado por sequestro ao ter bloqueado uma embarcação da Guarda Costeira que havia socorrido 177 migrantes no Mediterrâneo. Na ocasião, Salvini escapou do processo graças aos votos do M5S.

Como a Liga agora está na oposição, o movimento já indicou que deve votar de forma diferente. "Parece claro que o caso Gregoretti não é como o Diciotti. Neste último, houve uma decisão de governo, já o Gregoretti foi propaganda do então ministro Salvini", afirmou o líder do M5S e ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, em dezembro passado. (ANSA)

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