Chineses sofrem xenofobia na Itália: 'Vocês têm coronavírus'

Jovens ameaçaram agredir cidadãos da China em Roma

'Há uma epidemia de ignorância, devemos nos proteger', diz um mural pintado em Roma, na Itália
'Há uma epidemia de ignorância, devemos nos proteger', diz um mural pintado em Roma, na Itália (foto: )
13:05, 10 FevROMA ZLR

(ANSA) - Um grupo de quatro jovens chineses, incluindo uma mulher grávida, foi alvo de xenofobia em Roma, capital da Itália, na tarde do último domingo (9).

Segundo a reconstrução da polícia, as vítimas atravessavam a rua perto da Piazza dei Consoli, na periferia da cidade, quando foram cercadas por três jovens italianos.

Um deles teria gritado: "Vão embora da Itália, porque vocês estão infectados com coronavírus". Outro, um adolescente de 15 anos, ameaçou os chineses com estilhaços de garrafa, mas a polícia interviu rapidamente e o levou para a delegacia. Seus dois comparsas escaparam.

O grupo, acompanhado por um advogado do escritório consular da Embaixada da China em Roma, decidiu não formalizar a denúncia. Esse não é o primeiro episódio de xenofobia contra chineses na Itália desde o início da epidemia do novo coronavírus (2019-nCoV), que já matou 910 pessoas, sendo 908 no país asiático.

No fim de janeiro, um bar na Fontana di Trevi, também na capital, proibiu a entrada de chineses alegando inexistentes "medidas de segurança internacionais". Na semana passada, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, chegou a visitar uma escola que tem um número expressivo de alunos chineses para passar uma mensagem contra o preconceito.

O governo da China, no entanto, critica a Itália por conta do bloqueio de todas as rotas aéreas entre os dois países, inclusive para cidades que não estão no epicentro da epidemia.

"Esperamos que a Itália possa avaliar a situação de modo objetivo e baseando-se na ciência e se abstenha de adotar medidas excessivas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang.

Até o momento, a Itália contabiliza três casos de 2019-nCoV, sendo dois em turistas chineses e outro em um pesquisador italiano. (ANSA)

 

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