Lombardia pressiona governo da Itália a ampliar isolamento

Região concentra 57% dos casos de coronavírus no país

Mulher com máscara na divisa entre Lombardia e Emilia-Romagna, norte da Itália
Mulher com máscara na divisa entre Lombardia e Emilia-Romagna, norte da Itália (foto: ANSA)
11:18, 11 MarMILÃO ZLR

(ANSA) - O governador da Lombardia, Attilio Fontana, enviou nesta quarta-feira (11) ao primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, uma proposta para ampliar o isolamento da região.

Polo financeiro e industrial, a Lombardia é o epicentro da epidemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em território italiano e contabiliza 5.791 dos 10.149 casos registrados no país, segundo o balanço divulgado nesta terça-feira (10) pela Defesa Civil.

Isso equivale a 57% do total. Além disso, a região já soma 468 mortes, 74% da quantidade de vítimas registrada em toda a Itália. "Pedimos o fechamento de tudo, não podemos seguir com esse aumento de contágios, não podemos permitir", afirmou Fontana à emissora 7 Gold.

Segundo o governador, sua proposta prevê que apenas "atividades essenciais para continuar a vida cotidiana" sigam abertas. Isso inclui serviços de abastecimento de energia e coleta de lixo e negócios ligados à "cadeia alimentar". Fontana pertence ao partido de extrema direita Liga, cujo líder, Matteo Salvini, pressiona o governo italiano a colocar todo o país em quarentena.

 

Na última segunda-feira (9), Conte assinou um decreto que restringe a circulação de pessoas em todo o território nacional, mas permite que cidadãos saiam de casa por motivos de trabalho, situações de necessidade, razões de saúde ou para voltar ao próprio domicílio.

Apesar de fechar museus, sítios arqueológicos, escolas, universidades e casas noturnas, o decreto permite que bares e restaurantes abram entre 6h e 18h, desde que garantam distância mínima de um metro entre os clientes. A Liga, no entanto, pede medidas mais duras para conter a epidemia.

"Dei mandato para o ministro [da Saúde] Speranza solicitar ao governador Fontana a formalização dos pedidos, apresentando as justificativas. Não há nenhuma má vontade com medidas mais restritivas. Estamos disponíveis a acompanhar a evolução da curva epidemiológica e as solicitações que devem chegar", disse Conte nesta quarta.

De acordo com Walter Ricciardi, membro italiano do comitê-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), o pedido da Lombardia "tem sentido". Já o diretório regional da Confederação-Geral da Indústria da Itália (Confindustria) cobrou que as empresas sejam mantidas abertas.

"As companhias lombardas se comprometem a reforçar as próprias medidas de prevenção e contenção da difusão da epidemia", disse o presidente da Confindustria na Lombardia, Marco Bonometti. A região responde por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

O Vêneto e o Piemonte, vizinhos à Lombardia e que somam respectivamente, 856 e 453 casos do novo coronavírus, também já falam em pedir para o governo reforçar o isolamento. "Se continuar assim, seremos forçados a fechar tudo, porque todos estarão com o vírus", declarou o governador do Vêneto, Luca Zaia.

"Se o governo decretar que a Lombardia dê esse passo, acho que o Piemonte terá de ser incluído de algum modo", reforçou o governador da região, Alberto Cirio. Assim como Fontana, ambos pertencem à Liga, principal partido de oposição a Conte. (ANSA)

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