Ministra pressiona governo italiano a regularizar imigrantes

Medida é tema de divergências dentro da base aliada

Protesto de migrantes em Nápoles, sul da Itália, em maio de 2017
Protesto de migrantes em Nápoles, sul da Itália, em maio de 2017 (foto: ANSA)
10:14, 06 MaiROMA ZLR

(ANSA) - A proposta para legalizar cerca de 600 mil imigrantes em situação irregular na Itália ameaça abrir uma nova crise no governo, formado por uma coalizão de partidos historicamente rivais e que se uniram apenas para evitar eleições antecipadas.

A ideia foi lançada em meados de abril pela ministra da Agricultura, Teresa Bellanova, como uma forma de estimular a economia italiana e combater o trabalho informal, e agora seu partido, o centrista Itália Viva (IV), do ex-premiê Matteo Renzi, pressiona pela inclusão da proposta em um decreto que será discutido pelo governo nesta semana.

"Não é uma batalha instrumental para ganhar votos. Essas pessoas não votam. Se não passar, será um motivo de reflexão sobre minha permanência no governo", disse Bellanova, uma ex-sindicalista que é a principal representante de Renzi na base aliada.

A medida também conta com o apoio do Partido Democrático (PD) e da coalizão Livres e Iguais (LeU), ambos de centro-esquerda, e tem o aval da ministra do Interior, a advogada independente Luciana Lamorgese. Falta, no entanto, o "sim" do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento e antigo adversário do PD e de Renzi.

"A hipótese de uma anistia no campo diz respeito à possibilidade de conceder permissões de estadia temporárias para imigrantes irregulares, mas isso não ajuda a revelar o trabalho clandestino. Pelo contrário, o faz aumentar. Não aceito as permissões de estadia temporárias", disse nesta quarta-feira (6) o líder político do M5S, Vito Crimi, à Radio 24.

O projeto também enfrentará oposição no Parlamento, capitaneada pelo senador e ex-ministro do Interior Matteo Salvini, que, em seu período no governo, promoveu uma deriva antimigrantes na Itália. "Com todas as dificuldades que temos, de trabalho, de poupança, o governo trabalha em uma anistia para imigrantes clandestinos", disse o secretário da Liga, de extrema direita.

"Vamos impedi-la de todas as maneiras, dentro e fora do Parlamento", prometeu.

Proposta

Em artigo publicado em abril, Bellanova afirmou que a regularização permitiria enfrentar a "urgência da falta de mão de obra na agricultura", que coloca em risco produtores, postos de trabalho, investimentos e a própria cadeia do setor alimentício.

Segundo a ministra, isso também ajudaria a evitar uma "emergência humanitária" nos "assentamentos informais superlotados de pessoas que não trabalham ou o fazem na invisibilidade total". "Estão sob risco da fome, abandonadas a si mesmas e à mercê da ameaça do vírus", escreveu.

Bellanova também ressaltou que não exclui a utilização de mão de obra italiana no campo, mas disse que existe uma carência de 350 mil trabalhadores no setor, uma vez que a maior parte dos 400 mil estrangeiros que atuam regularmente nas colheitas não irá ao país neste ano por causa da pandemia de coronavírus. (ANSA)

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