Governo italiano discute projeto para regularizar imigrantes

Tema é motivo de divergêcias na base aliada

Migrantes em centro de acolhimento em Turim, na Itália
Migrantes em centro de acolhimento em Turim, na Itália (foto: ANSA)
10:29, 07 MaiROMA ZLR

(ANSA) - O governo da Itália discute uma proposta para estender por três meses a permissão de estadia para trabalhadores estrangeiros com contratos temporários vencidos, em uma espécie de meio-termo que evite uma nova crise na base aliada.

A ministra da Agricultura, Teresa Bellanova, do partido de centro Itália Viva (IV), pede a regularização dos cerca de 600 mil imigrantes em condição irregular na Itália, mas a proposta encontra resistência no antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), principal força governista no país e dono da maior bancada no Parlamento.

No entanto, segundo informações de bastidores, os ministros trabalham em uma proposta para estender por três meses a permissão de estadia de imigrantes que estejam com contratos de trabalho temporários vencidos ou que tenham perdido o emprego por conta da pandemia de coronavírus.

De acordo com os números que circulam no governo, o público interessado poderia chegar a 300 mil pessoas, metade do proposto por Bellanova, que chegou a ameaçar se demitir caso os imigrantes não fossem regularizados.

"Não é uma batalha instrumental para ganhar votos. Essas pessoas não votam. Se não passar, será um motivo de reflexão sobre minha permanência no governo", afirmou a ministra recentemente. Bellanova é ex-sindicalista e a principal representante do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi no governo.

Já o senador e líder da oposição Matteo Salvini promete ir às ruas caso a proposta da ministra seja aprovada. "É criminógena a ideia de regularizar centenas de migrantes. Seria diferente prorrogar as permissões de estadia vencidas nos últimos meses, mas uma anistia indiscriminada seria devastadora", afirmou nesta quinta (7).

Proposta

Em artigo publicado em abril, Bellanova afirmou que a regularização permitiria enfrentar a "urgência da falta de mão de obra na agricultura", que coloca em risco produtores, postos de trabalho, investimentos e a própria cadeia do setor alimentício.

Segundo a ministra, isso também ajudaria a evitar uma "emergência humanitária" nos "assentamentos informais superlotados de pessoas que não trabalham ou o fazem na invisibilidade total". "Estão sob risco da fome, abandonadas a si mesmas e à mercê da ameaça do vírus", escreveu.

Bellanova também ressaltou que não exclui a utilização de mão de obra italiana no campo, mas disse que existe uma carência de 350 mil trabalhadores no setor, uma vez que a maior parte dos 400 mil estrangeiros que atuam regularmente nas colheitas não irá ao país neste ano por causa da pandemia de coronavírus. (ANSA)

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