Itália reduz em mais de 50% o número de diagnósticos de câncer

Efeito colateral da pandemia foi revelado por associação

Por conta da pandemia do novo coronavírus, número de diagnósticos e de cirurgias despencaram na Itália
Por conta da pandemia do novo coronavírus, número de diagnósticos e de cirurgias despencaram na Itália (foto: AFP)
12:56, 14 MaiROMA ZGT

(ANSA) - O número de novos diagnósticos de câncer na Itália caiu 52% em 2020, em um dos efeitos colaterais da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), revelou a Associação Italiana de Oncologia Médica nesta quinta-feira (14).

O estudo ainda mostrou que houve um atraso de 64% nas intervenções cirúrgicas e as visitas médicas diminuíram 57%. Por conta disso, a entidade pediu "ações urgentes" dos governos "porque os tumores não são menos graves que a Covid e atrasos nas programações e assistências podem comprometer a possibilidade de sobrevivência".

Além da Associação de Oncologia Médica, entidades que representam os pacientes, os médicos oncologistas, radioterapeutas e cirúrgicos, psicólogos e enfermeiros firmaram um documento pedindo um "retorno à normalidade" já na fase dois do plano do governo italiano de reabertura.

Para as organizações, é preciso voltar a potencializar a medicina do setor em todo o território, a reativação do sistema de monitoramento, a modernização dos hospitais para que os atendimentos sejam mais rápidos, ter menos burocracia para a proteção social e a efetiva realização da Rede Oncológica Regional.

"Na fase dois, que todos os pacientes possam ir, com confiança e serenidade, às suas estruturas de referência, onde foram ativados protocolos específicos para a proteção do contágio. Convidamos todos os pacientes oncológicos e as suas famílias a superar qualquer receio e a não negligenciar diagnósticos e tratamentos por infundados medos de contaminação, também para não comprometer os brilhantes sucessos que nos últimos anos foram atingidos na cura do câncer", informam a entidade no comunicado.

Os especialistas e os pacientes também pediram que, enquanto o nível de atenção pela pandemia estiver alto, sejam feitos monitoramentos constantes dos pacientes em suas casas, evitando assim que eles fiquem sem assistência.

"Esses objetivos podem ser realizados apenas com o envolvimento ativo das associações e dos pacientes. Isso pode constituir a verdade inovação para a oncologia do futuro: um novo modelo baseado nas necessidades reais dos pacientes", finaliza o informativo.

Segundo dados da Associação Oncológica, em 2019, foram estimados mais de 370 mil casos de câncer dos mais diversos tipos.

No momento, a Itália começa a flexibilizar as medidas de isolamento social extremas tomadas desde março para permitir a volta a uma "nova normalidade" no país no pós-pandemia. (ANSA)

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