Migrante eritreu morre atropelado no sul da Itália

A vítima tentava escapar de um centro de acolhimento

Local de acidente em Siculiana, na Sicília
Local de acidente em Siculiana, na Sicília (foto: ANSA)
10:42, 04 SetAGRIGENTO ZLR

(ANSA) - Um migrante eritreu de 20 anos de idade morreu atropelado por um carro ao tentar sair de um centro de acolhimento para deslocados internacionais em Siculiana, cidade situada na região da Sicília, sul da Itália.

A vítima havia chegado na estrutura no último dia 1º de agosto. Três policiais que tentavam impedir a fuga do migrante também foram atropelados pelo mesmo carro e estão internados em um hospital de Agrigento.

Dois deles sofreram contusões, enquanto o terceiro teve uma fratura grave e deverá passar por uma cirurgia. Segundo uma primeira reconstrução, um grupo de migrantes hospedados no centro de acolhimento tentou fugir na madrugada desta sexta-feira (4), após uma tarde inteira de protestos no dia anterior.

O motorista, que não parou para socorrer os atropelados, foi preso logo após o amanhecer. "Tragédias como essa não devem se repetir", disse a ministra do Interior da Itália, Luciana Lamorgese - a pasta é responsável pela gestão da rede de acolhimento no país.

De acordo com o governo, o abrigo de Siculiana tem 237 migrantes, sendo a maioria da Tunísia (55), de Bangladesh (44) e do Marrocos (24). Todos os hóspedes estão em isolamento após a detecção de pelo menos 16 casos do novo coronavírus na estrutura.

Ex-colônia italiana, a Eritreia, terra natal do migrante atropelado, é um dos países mais fechados do mundo e é governada desde sua independência da Etiópia, em 1993, pelo presidente Isaias Afwerki, que impõe uma severa repressão a opositores e obriga todos os homens a prestarem serviço militar.

Em 2015, uma comissão das Nações Unidas (ONU) - que nunca pôde visitar o país - constatou a total ausência de um Estado de Direito na Eritreia, com inúmeras denúncias de torturas, estupros e represálias contra seu próprio povo.

A nação africana é a 178ª em uma lista de 180 países sobre liberdade de imprensa elaborada pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Apenas a Coreia do Norte e o Turcomenistão perdem para a Eritreia. (ANSA)

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