Assassinato de jovem negro gera consternação na Itália

Willy Duarte foi espancado até a morte ao tentar separar briga

Willy Monteiro Duarte tinha 21 anos de idade e era filho de cabo-verdianos
Willy Monteiro Duarte tinha 21 anos de idade e era filho de cabo-verdianos (foto: Reprodução)
17:51, 09 SetROMA ZLR

(ANSA) - O assassinato de um jovem negro e filho de imigrantes no último fim de semana provocou consternação na Itália e declarações de repúdio das mais elevadas autoridades políticas do país.

Willy Monteiro Duarte, 21 anos, morreu enquanto era transferido para um hospital após ter sido espancado durante uma briga em Colleferro, cidade situada nos arredores de Roma.

O episódio ocorreu na madrugada entre 5 e 6 de setembro, e quatro italianos de 22 a 26 anos de idade foram presos por seu suposto envolvimento no crime.

Mario Pincarelli, Francesco Belleggia e os irmãos Marco e Gabriele Bianchi teriam espancado Duarte quando ele tentou separar uma briga envolvendo os quatro suspeitos e um amigo seu.

Nascido em Roma, o jovem é proveniente de uma família de Cabo Verde, pequeno arquipélago da África Ocidental, estudava hotelaria e trabalhava como ajudante de cozinha em um hotel em Artena, vizinha a Colleferro.

"Eles haviam acabado de sair de um bar e estavam voltando ao carro quando perceberam uma briga. Meu filho e Willy se aproximaram para acalmar os ânimos, mas aqueles animais - só assim para defini-los - começaram a agredi-los", contou o pai de um jovem que estava com a vítima.

"Meu filho e os outros conseguiram escapar, mas o pobre Willy permaneceu caído no chão. Agrediram-no até tirar sangue e deram chutes na sua cabeça. Cinco contra um", acrescentou.

Os resultados preliminares da autópsia apontam que a morte foi causada por "múltiplos traumatismos" entre o tórax, o abdome e o pescoço, que provocaram uma parada cardíaca. Segundo uma testemunha citada pelo juiz que cuida do caso, pelo menos dois suspeitos - ela não identificou quais - saltavam sobre o corpo inerte de Duarte.

Outra testemunha confirmou ter visto Pincarelli e os irmãos Bianchi agredindo a vítima. Já Belleggia, o quarto suspeito, disse aos investigadores que Duarte não tinha "nada a ver" com a briga e foi pego "repentinamente".

Todos os acusados negam participação no crime. "Ocorreu uma coisa nojenta, estamos destruídos, mas não foram eles", disse nesta quarta-feira (9) Alessandro Bianchi, irmão de Gabriele e Marco.

Consternação

Após o crime ganhar o noticiário, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, telefonou para os pais de Duarte e disse que a família está "despedaçada".

"Não cabe a mim cuidar das investigações judiciárias, mas vamos parar e refletir: o que diremos a nossos filhos? Que não intervenham em uma briga?", afirmou o premiê nesta terça-feira (8), durante uma visita a Beirute, no Líbano.

Mais tarde, Conte acrescentou no Facebook que é preciso "multiplicar os esforços para que nossos filhos cresçam no culto do respeito à pessoa e rechacem o mito da violência". Já a Assembleia Legislativa da região do Lazio, onde fica Colleferro, celebrou um minuto de silêncio em homenagem a Duarte nesta quarta-feira.

Por sua vez, o líder da oposição, senador Matteo Salvini, pediu "penas exemplares para os malditos assassinos". "Ele morreu por um gesto de altruísmo. Espancado com ferocidade por seres desumanos, morto por defender um amigo", declarou. (ANSA) 

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