Mattarella inaugura ano letivo em cidade que teve 1ª morte por Covid

Escolas foram reabertas oficialmente na Itália nesta segunda

Presidente da Itália fez discurso em cerimônia oficial (foto: ANSA)
15:48, 14 SetSAN PAULO ZCC

(ANSA) - O presidente da Itália, Sergio Mattarella, participou nesta segunda-feira (14) da cerimônia oficial de início do ano letivo em âmbito nacional na cidade de Vo' Euganeo, no Vêneto, a comuna italiana que registrou a primeira morte pela Covid-19 em 21 de fevereiro.

"A inauguração do ano letivo, como nunca antes nesta ocasião, tem o valor e o significado de um recomeço para toda a sociedade. Isso é sentido por crianças, adultos e instituições que o compreendem. Estamos perante a um desafio decisivo", declarou durante evento na escola Guido Negri.

Segundo Mattarella, a decisão de fechar as instituições durante a pandemia do novo coronavírus Sars-CoV-2 foi necessária, mas dolorosa porque "a escola tem no seu DNA o caráter de abertura, de sociabilidade, de diálogo entre as pessoas, lado a lado".

Hoje, cerca de 5,6 milhões de estudantes voltaram às aulas presenciais na Itália, após mais de seis meses fechadas devido ao isolamento social. Ao todo, os colégios foram abertos em 12 das 20 regiões do país, além da província autônoma de Trento, para iniciarem o ano letivo 2020/21.

Além de Mattarella, a inauguração oficial contou com a presença dos presidentes do Senado, Elisabetta Alberti Casellati, e da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, da ministra da Educação, Lucia Azzolina, e sua vice, Anna Ascani, do ministro das Relações com o Parlamento, Federico D'Incà, entre outros.

Vo' foi uma das primeiras e mais afetadas cidades durante o início da propagação do vírus, mas também foi uma das que responderam melhor e de forma mais eficaz à emergência. Por isso, o governo italiano decidiu escolher o local simbólico para a cerimônia de recomeço das aulas.

Diversos estudantes, que foram selecionados no concurso anual do Ministério da Educação por terem criado os melhores cursos pedagógicos nas temáticas da educação, legalidade, integração e combate ao bullying, participaram da iniciativa.

"O exemplo que deram nos dias da emergência sanitária foi uma antecipação do que aconteceu na Itália e serviu ao nosso país", disse Mattarella.

O chefe de Estado italiano ainda lembrou que os meses de bloqueio foram duros para todos, mas os alunos com deficiência sofreram as consequências mais pesadas". "Para muitos deles, as renúncias tiveram um custo muito alto, às vezes não suportável".

"As famílias cuidaram desses sofrimentos" e agora, "na retomada das escolas, a atenção a esses alunos deve ser imprescindível, a começar pela designação de professores auxiliares", explicou.

Por fim, Mattarella ressaltou a "urgência e absoluta necessidade" do país inteiro ter banda larga. "O bloqueio nos mostrou que as crianças sem computadores em casa sofreram fortes exclusões, as que não tinham espaço suficiente, as que já viviam em situação de marginalização. Devemos evitar que a exclusão digital se torne uma fenda intransponível", enfatizou.

Morte jovem negro -

Em um momento de seu discurso, o presidente italiano falou sobre a morte de Willy Monteiro Duarte, jovem negro de 21 anos e estudante de hotelaria espancado até a morte ao tentar apartar uma briga.

"Espancado até a morte por defender um amigo da violência. Seu rosto sorridente permanecerá um ícone de amizade e solidariedade, que lembra tarefas educativas e cursos de capacitação da escola e de toda a nossa comunidade", acrescentou.

"A escola, a cultura, o enfrentamento contínuo também são antídotos para o vírus da violência e da intolerância, que também pode infectar a comunidade se for reduzida a atenção", concluiu Mattarella. (ANSA)

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