Bocas de urna apontam avanço da direita em eleição na Itália

No entanto, coalizão de Salvini não deve conquistar a Toscana

Salvini se empenhou pessoalmente na campanha das eleições regionais
Salvini se empenhou pessoalmente na campanha das eleições regionais (foto: ANSA)
12:14, 21 SetROMA ZLR

(ANSA) - Pesquisas de boca de urna apontam vitórias da coalizão conservadora liderada pelo ex-ministro do Interior Matteo Salvini em pelo menos três das sete regiões que foram às urnas para eleger novos governadores em 20 e 21 de setembro, mas não na Toscana, histórico bastião da esquerda na Itália.

A aliança é capitaneada atualmente pelo partido ultranacionalista Liga e ainda conta com o moderado Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e a legenda de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), herdeira de antigos movimentos neofascistas.

Segundo as pesquisas de boca de urna, a coalizão conservadora reelegeu os governadores Luca Zaia (Liga), com 72% a 76% dos votos, e Giovanni Toti (Mudemos!, dissidência do FI), com 51% a 55%, no Vêneto e na Ligúria, respectivamente.

Além disso, tirou da centro-esquerda o governo de Marcas, com Francesco Acquaroli (FdI), que aparece com 47% a 51%, contra 34% a 38% de Maurizio Mangialardi. Já na Toscana, a boca de urna coloca Eugenio Giani, do Partido Democrático (PD), com 43,5% a 47,5%, contra 40% a 44% de Susanna Ceccardi (Liga), pupila de Salvini.

A região é um histórico bastião "vermelho" da Itália e é governada pela centro-esquerda desde sua instituição, em 1970. Contudo, as pesquisas pré-eleição mostravam uma disputa apertada entre Giani e Ceccardi e alimentaram na Liga e em Salvini a esperança de uma inédita vitória na Toscana.

O ex-ministro do Interior promoveu uma intensa agenda de comícios para impulsionar sua candidata e nunca escondeu que a região era o principal palco de batalha nas eleições de 2020.

Em janeiro, a Liga já havia ficado perto de conquistar a Emilia-Romagna, outra fortaleza da esquerda, mas acabou derrotada pelo governador Stefano Bonaccini (PD), com a ajuda fundamental do movimento das Sardinhas.

Outras duas regiões comandadas pela esquerda foram às urnas em 20 e 21 de setembro: Campânia, onde, segundo a boca de urna, o governador Vincenzo de Luca (PD) deve se reeleger; e Puglia, onde as sondagens mostram um empate entre o governador Michele Emiliano (independente de centro-esquerda) e o eurodeputado Raffaele Fitto (FdI).

No Vale de Aosta, menor e menos populosa região da Itália, não há eleição direta para governador, mas a boca de urna coloca a Liga na liderança da preferência do eleitorado, com 20% a 24% dos votos, seguida pelo Progresso Cívico Progressista (coalizão que inclui o PD), com 13% a 17%.

A formação do governo no Vale de Aosta, no entanto, dependerá de alianças com os partidos que representam a minoria francesa na região. Todas as pesquisas foram feitas pelo consórcio Opinio Italia, sob encomenda da emissora pública Rai.

Se os resultados se confirmarem, a coalizão conservadora ampliará seu predomínio sobre a esquerda nos últimos anos. Quando Salvini assumiu o comando da aliança após as eleições legislativas de março de 2018, sociais-democratas governavam 14 das 20 regiões da Itália, número que, pelas pesquisas desta segunda-feira, deve cair para cinco ou quatro, mas podendo chegar a apenas três. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA