Políticos comemoram redução do Parlamento na Itália

Chanceler italiano falou em resultado "histórico"

Luigi Di Maio comemorou vitória do 'sim' em referendo
Luigi Di Maio comemorou vitória do 'sim' em referendo (foto: Reprodução/Facebook)
12:59, 21 SetROMA ZLR

(ANSA) - Políticos italianos já comemoram a iminente vitória do "sim" no referendo sobre a reforma constitucional que reduz o número de parlamentares no país de 945 para 600.

Com pouco mais de 43,8 mil das 62,3 mil seções eleitorais já apuradas, o "sim" aparece com 69,24% dos votos, contra 30,76%, confirmando a tendência apontada pelas pesquisas.

"O resultado de hoje é histórico. Voltaremos a ter um Parlamento normal, com 345 poltronas a menos. É a política dando um sinal aos cidadãos", disse o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, ex-líder do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e um dos principais cabos eleitorais da reforma.

"Estou orgulhoso do resultado, esse é um ponto de partida, não de chegada", acrescentou Di Maio à ANSA. Já o líder interino do M5S, Vito Crimi, chamou o resultado de "extraordinário". "Agradeço a todos aqueles que foram votar nesse período de emergência da Covid-19", disse.

Por sua vez, o líder do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) e governador do Lazio, Nicola Zingaretti, declarou estar "satisfeito". "Foi confirmado que o PD fez a escolha certa, agora avancemos com as reformas", ressaltou.

O partido era contra a redução do Parlamento, mas mudou de ideia após se aliar ao M5S no governo italiano. Em troca de seu apoio à reforma, o PD obteve do movimento antissistema a garantia de aprovar um novo sistema eleitoral que reflita a futura composição da Câmara dos Deputados e do Senado.

O próprio Di Maio já disse que o resultado do referendo abre um "percurso de renovação cujo próximo passo deve ser a aprovação de uma lei eleitoral proporcional". O chanceler também defendeu a redução dos salários dos parlamentares.

A reforma submetida a referendo reduz o número de deputados de 630 para 400 e o de senadores de 315 para 200, sem levar em conta os cinco vitalícios. O corte também afetará os parlamentares italianos eleitos no exterior, que passarão de 18 (12 deputados e seis senadores) para 12 (oito deputados e quatro senadores).

Números

A Itália é hoje o país que mais elege parlamentares pelo voto direto em toda a União Europeia, com 945.

Quando também se leva em conta câmaras não eletivas, o Reino Unido assume a liderança, com 1.430. Já considerando o tamanho da população, a Itália tem hoje um parlamentar eleito para cada 64 mil habitantes.

Todos os outros Estados-membros da UE com mais de 30 milhões de habitantes apresentam relações de representatividade superiores à da Itália: Alemanha (um parlamentar eleito para cada 117 mil habitantes), França (um para cada 116 mil), Reino Unido (um para cada 102 mil), Espanha (um para cada 84 mil) e Polônia (um para cada 68 mil).

Depois da reforma, a Itália passará a ter 600 parlamentares eleitos, o que a deixará em terceiro lugar no ranking da UE em números absolutos, atrás de Alemanha (709) e Reino Unido (650), e uma relação de um para cada 101 mil habitantes, índice mais compatível com os de Alemanha, França e Reino Unido. (ANSA)

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