Brasileiros pagavam propina por cidadania italiana, diz MP

Polícia prendeu quatro suspeitos na cidade de Crescentino

Sede da Prefeitura de Crescentino, na Itália
Sede da Prefeitura de Crescentino, na Itália (foto: Wikimedia Commons/F Ceragioli)
14:22, 14 OutVERCELLI ZLR

(ANSA) - A polícia italiana desmantelou nesta quarta-feira (14) mais uma quadrilha que praticava corrupção para facilitar o reconhecimento de cidadania jus sanguinis ("direito de sangue") para brasileiros.

O caso ocorreu na cidade de Crescentino, situada na província de Vercelli, noroeste da Itália. Por meio de interceptações telefônicas e microcâmeras instaladas em escritórios municipais, os investigadores conseguiram documentar pagamentos em dinheiro para servidores públicos.

A Procuradoria estima que a quadrilha tenha movimentado mais de 600 mil euros. Quatro pessoas foram presas preventivamente e estão em regime de detenção domiciliar, incluindo dois funcionários do escritório de registro civil de Crescentino: um homem de 49 anos e uma mulher de 54.

Eles são acusados de ter facilitado o reconhecimento de cidadania italiana para 74 brasileiros em troca de pagamentos ilícitos feitos por meio de uma agência com sede em Verona, no nordeste do país. Segundo o Ministério Público, a empresa oferecia "pacotes" de até 4 mil euros para obtenção da cidadania.

O homem de 49 anos ainda é acusado de alugar "por fora" dois apartamentos de sua propriedade para pelo menos 30 brasileiros que aguardavam a conclusão de seus pedidos. Ele e sua colega responderão por formação de quadrilha, corrupção, falsidade ideológica e peculato.

Os outros dois detidos são a mulher e seu filho que respondem pela empresa de Verona, ambos provenientes do Brasil. O que chamou a atenção dos investigadores foi o elevado número de brasileiros, cerca de 150, que estavam em Crescentino, município de pouco menos de 8 mil habitantes, para reconhecer a cidadania italiana.

Esquemas

Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento de cidadania italiana jus sanguinis, especialmente envolvendo brasileiros.

O problema mais frequente é a questão da residência. Para obter o reconhecimento, é preciso comprovar moradia na Itália, o que exige a permanência por um período relativamente incerto, mas que pode durar por volta de três meses.

Em alguns inquéritos, existe a suspeita de irregularidades no reconhecimento da residência, papel que cabe a um guarda municipal, o chamado "vigile". Há também assessorias que vendem a ideia de que tal etapa pode ser concluída rapidamente ou sem a necessidade da presença permanente do candidato em solo italiano, o que vai de encontro ao que estabelece a lei.

No caso da operação deflagrada nesta quarta-feira, a investigação gira em torno da suposta corrupção de servidores municipais para garantir o reconhecimento da cidadania para brasileiros. (ANSA)

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