Ambulâncias fazem fila para evacuar idosos de asilo na Itália

Cidade de Sambuca di Sicilia virou 'zona vermelha' em pandemia

Fila de ambulâncias em Sambuca di Sicilia, sul da Itália
Fila de ambulâncias em Sambuca di Sicilia, sul da Itália (foto: ANSA)
18:03, 19 OutPALERMO ZLR

(ANSA) - Em meio ao crescimento dos novos casos do coronavírus Sars-CoV-2, a Itália voltou a presenciar no último fim de semana uma cena típica do pico da pandemia.

Ambulâncias fizeram fila para evacuar idosos de um asilo na pequena cidade de Sambuca di Sicilia, no sul do país, após o local ter perdido quatro hóspedes para o novo coronavírus em poucos dias.

Considerada um dos vilarejos mais bonitos da Itália por um concurso promovido anualmente pela emissora Rai, Sambuca di Sicilia tem pouco menos de 6 mil habitantes e ganhou notoriedade em 2018, ao oferecer casas a 1 euro para interessados em repovoar seu centro histórico.

A cidade havia passado imune à primeira onda da pandemia na Itália, mas, com a disseminação do Sars-CoV-2 pelo sul do país, foi declarada como "zona vermelha" pelo governador da Sicília, Nello Musumeci, no último sábado (17).

Até o momento, o vilarejo contabiliza pelo menos 64 casos confirmados do novo coronavírus, a maior parte no asilo local. Em meio a esse cenário, o prefeito Leo Ciaccio pediu a transferência dos idosos doentes para hospitais com mais condições de atendê-los.

O asilo em questão é uma "RSA" (residência sanitária assistencial), tipo de estrutura dedicada a pessoas de terceira idade que não são autossuficientes e que têm necessidades médicas específicas. Por conta disso, as RSAs são capazes de cuidar de casos leves de Covid-19, porém não dos mais delicados.

"Arriscamos ter outras vítimas, não temos tempo a perder", justificou o prefeito de Sambuca di Sicilia. As ambulâncias foram enviadas imediatamente pelo governo siciliano e formaram fila na porta do asilo para evacuar os idosos doentes.

A cena remete à lembrança dos caminhões militares que se enfileiraram para transferir caixões de mortos em Bergamo, cujo cemitério estava com capacidade saturada, para outras regiões do país, em março passado.

Ao todo, foram evacuados 19 pacientes do asilo, enquanto outros 10 permaneceram no local. Além disso, 14 funcionários infectados cumprem isolamento na estrutura. Desde a última quarta-feira (14), a Itália registrou cinco recordes seguidos de novos casos do coronavírus Sars-CoV-2, com o ápice de 11.705 infecções no domingo.

As mortes também estão em alta, mas permanecem longe do pico da pandemia, quando o país chegou a ter mais de 900 óbitos em um único dia. Até o momento, a Itália soma cerca de 414,2 mil casos e 36,5 mil vítimas na pandemia. (ANSA)  

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