Após ataque em Nice, Lampedusa pede mudança em gestão de migrantes

Autor de ataque em Nice teria chegado na UE pela ilha italiana

Migrantes que desembarcaram em Lampedusa em setembro
Migrantes que desembarcaram em Lampedusa em setembro (foto: ANSA)
08:36, 30 OutPALERMO ZCC

(ANSA) - O prefeito de Lampedusa, Totò Martello, comentou nesta quinta-feira (29) a notícia de que o autor do atentado em uma igreja de Nice, na França, chegou à Europa através de um barco de migrantes que desembarcou na ilha italiana de Lampedusa.

Segundo o político italiano, caso seja confirmada a informação, é a certeza de que a gestão dos fluxos migratórios precisa ser compartilhada entre todos os países da União Europeia.

"O ataque de Nice é um ataque à Europa. As notícias da imprensa sobre o caminho percorrido pelo agressor antes de chegar à França confirmam que todo o mecanismo de gestão dos fluxos migratórios necessita de regras partilhadas a nível comunitário e, evidentemente, de verificações mais profundas", disse.

De acordo com fontes de segurança do governo italiano, o jovem de 21 anos teria chegado na Itália no dia 20 de setembro e se registrado no centro de Migrantes de Bari no dia 9 de outubro como Brahim Aoussaoui.

"O agressor teria passado pelo centro de acolhimento de Lampedusa, e é bom reiterar que a administração municipal da ilha não tem qualquer função na gestão do centro", acrescentou Martello.

O prefeito de Lampedusa ainda explicou que as autoridades competentes estão verificando os passos do autor do ataque, que deixou três mortos na Basílica de Notre-Dame de Nice.

"O caso é um assunto que deve levar as instituições italianas e europeias a refletirem profundamente sobre o que aconteceu, e sobre a necessidade de tratar de uma forma diferente de fazer a gestão dos fluxos migratórios", disse ele.

Martello defendeu que não se pode descarregar todo o peso da hospitalidade nos territórios fronteiriços. "Lampedusa não pode ser acusada de nada, seria um erro grave e perigoso contar esta história com simplificações que correm o risco de anular o empenho e os sacrifício da nossa comunidade na frente humanitária".

Apesar disso, todas as autoridades de Agrigento estão trabalhando para reconstruir os passos dados pelo autor do atentado.

Salvini -

O ex-ministro do Interior da Itália e líder da extrema direita Matteo Salvini, conhecido principalmente por sua política anti-imigração, comentou o caso e disse que, se for confirmado que o agressor entrou mesmo na Europa pela ilha de Lampedusa, a atual ministra do Interior, Luciana Lamorgese, deve ser demitida. (ANSA)

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