Premiê da Itália anuncia novas restrições para conter pandemia

Primeiro-ministro Giuseppe Conte em discurso na Câmara dos Deputados da Itália
Primeiro-ministro Giuseppe Conte em discurso na Câmara dos Deputados da Itália (foto: ANSA)
15:37, 02 NovROMA ZLR

(ANSA) - Após uma série de reuniões com governadores, prefeitos e partidos da base aliada, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, anunciou nesta segunda-feira (2), em discurso na Câmara dos Deputados, novas medidas para conter a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2.

De acordo com o premiê, o próximo decreto do governo terá algumas ações de âmbito nacional, como o fechamento de museus, exposições e casas de jogos de azar, a redução de 50% na capacidade máxima de meios de transporte públicos e 100% de aulas a distância para escolas de ensino médio.

Além disso, shoppings não abrirão em feriados e fins de semana, mas lojas de alimentos, farmácias e bancas de jornais situadas dentro desses locais poderão funcionar normalmente. O governo também proibirá os deslocamentos envolvendo regiões com "elevados coeficientes de risco", a não ser por motivos de trabalho, estudo ou saúde.

Conte, no entanto, ainda não anunciou quais serão as regiões afetadas. "No próximo decreto, indicaremos áreas com três cenários de risco, com medidas gradualmente mais restritivas. A inserção de uma região será feita com uma determinação do ministro da Saúde [Roberto Speranza]", explicou o premiê.

Segundo o Instituto Superior da Saúde (ISS), órgão científico do governo, quatro regiões (Calábria, Emilia-Romagna, Lombardia e Piemonte), além da província de Bolzano, já chegaram a um estágio de transmissão descontrolada do Sars-CoV-2.

"Existe a possibilidade de que 15 regiões superem os níveis críticos em terapias intensivas", acrescentou Conte. Jornais italianos também falam que o próximo decreto incluirá um toque de recolher noturno em âmbito nacional, mas o primeiro-ministro não negou nem confirmou a medida.

Tensão

As novas restrições, que devem entrar em vigor nos próximos dias, foram anunciadas apenas uma semana depois do início da vigência do decreto de Conte que fechou academias, piscinas, teatros e cinemas e limitou até 18h o funcionamento de bares e restaurantes.

Epidemiologistas avaliam que medidas restritivas costumam levar 14 dias - tempo de incubação do vírus - para produzir efeitos consistentes, mas o governo não quis esperar mais uma semana, apesar dos protestos que já tomaram as principais cidades do país.

Municípios como Roma, Milão, Nápoles, Turim e Palermo registraram episódios de violência e saques durante manifestações contrárias às ações anti-Covid, elevando o alerta no governo para o risco de uma crescente tensão social.

"Estamos cientes da frustração e até da raiva manifestada nos últimos dias. E estamos conscientes das repercussões na atividade econômica, na produção, mas não pode haver dilema entre a defesa da saúde e a tutela da economia", declarou Conte.

Nos últimos 19 dias, a Itália registrou 15 recordes de novos casos do Sars-CoV-2, enquanto a média móvel de óbitos em uma semana está em 213, maior número desde 12 de maio (228), ainda antes do fim do lockdown.

Até o momento, o país contabiliza 709.335 contágios e 38.826 mortes na pandemia. (ANSA) 

 

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