Itália e França fecham acordo para ter policiais em fronteiras

Italianos também irão monitorar barcos com migrantes da Tunísia

Itália e França terão equipes de policiais atuando em postos de fronteira
Itália e França terão equipes de policiais atuando em postos de fronteira (foto: AFP)
10:39, 06 NovROMA ZGT

(ANSA) - Os governos da Itália e da França anunciaram nesta sexta-feira (6) um acordo para colocar brigadas mistas com policiais dos dois países nos postos de fronteira para controlar a passagem de migrantes.

"O projeto não nasceu hoje. Nós trabalhamos juntos há tempo e agora isso se tornará operacional em breve para uma experiência de seis meses", informou a ministra do Interior, Luciana Lamorgese, após encontro com seu homólogo francês, Gerald Darmanin.

O representante de Paris afirmou que a medida "não é para fechar as fronteiras", mas para adicionar essas "brigadas mistas para reforçar os controles". "A livre circulação está garantida porque essa é uma luta contra o terrorismo e a imigração clandestina", acrescentou Darmanin. O francês ainda voltou a pedir por um plano europeu "para combater a ideologia jihadista e reforçar os controles nas fronteiras externas da Europa".

Além da parceria com os franceses, Lamorgese informou que navios e aviões italianos reforçarão a atuação nas águas internacionais, em frente ao território da Tunísia, para notificar as autoridades do país africano sobre a saída de embarcações com migrantes.

"O plano prevê o posicionamento de meios navais e aéreos que possam advertir a Tunísia das partidas para que as autoridades possam, em sua total autonomia, intervir. Obviamente, esse plano pressupõe a plena adesão da Tunísia", acrescentou Lamorgese.

Itália e França fizeram a reunião dessa sexta por conta de um episódio de falha no registro de um migrante tunisiano que cometeu um atentado terrorista em Nice, na França, no dia 29 de outubro.

O autor se chama Brahim Aoussaoui, 21 anos, e chegou à ilha italiana de Lampedusa em 20 de setembro. Após cumprir um período de isolamento por conta da pandemia de coronavírus Sars-CoV-2, ele foi registrado em Bari em 9 de outubro e, de lá, partiu sem nenhum registro para o território francês. Assim que a notícia foi confirmada, as autoridades dos dois países começaram a fazer uma revisão dos protocolos de chegadas dos migrantes vindos através do Mar Mediterrâneo.

A Tunísia fica a cerca de 100 quilômetros de distância da Itália, em linha reta, e se tornou o principal ponto de partida de milhares de migrantes em 2020. Segundo dados do Ministério do Interior, entre 1º de janeiro e 6 de novembro deste ano, 29.952 deslocados chegaram ao território italiano. O número é muito superior no período a 2019 (9.944), mas está em linha com 2018 (22.167).

No entanto, o que chama a atenção é que quase a metade dos migrantes (12.113) vieram, justamente, da Tunísia. Ao longo do primeiro semestre, Roma chegou a cortar fundos que envia para Túnis para forçar o governo local a controlar o fluxo migratório e reativou um acordo que prevê dois voos semanais de repatriação para o país. A medida surtiu efeito já que, desde julho, quando 7.067 pessoas (de várias nacionalidades) chegaram pelo Mediterrâneo, os dados vêm caindo mês a mês - chegando a 3.477 em outubro. (ANSA).
   

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