Itália investiga morte de bebê de 6 meses no Mediterrâneo

Ysuf Ali Kanneh foi sepultado neste sábado (14), em Lampedusa

Imagem de resgate de migrantes pela ONG ProActiva Open Arms
Imagem de resgate de migrantes pela ONG ProActiva Open Arms (foto: ANSA)
14:41, 14 NovAGRIGENTO ZLR

(ANSA) - O Ministério Público de Agrigento, no sul da Itália, abriu um inquérito sobre o naufrágio que matou seis pessoas no Mediterrâneo Central na última quarta-feira (11), incluindo um bebê de seis meses.

A investigação foi anunciada neste sábado (14) e vai apurar possíveis crimes de naufrágio e favorecimento da imigração clandestina, mas também eventuais demoras no resgate dos migrantes.

O barco levava cerca de 100 deslocados internacionais e naufragou em águas territoriais da Líbia, país que vive uma longa guerra de milícias e cuja Guarda Costeira, treinada e equipada pela Itália, é acusada de violar direitos humanos de migrantes.

O resgate foi feito pela ONG espanhola ProActiva Open Arms, mas seis pessoas morreram afogadas, incluindo o pequeno Ysuf Ali Kanneh, de nacionalidade guineana, porém nascido na Líbia. O bebê chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu e faleceu.

A Open Arms divulgou na última quinta (12) um vídeo que mostra o desespero da mãe, que tem 17 anos, ao ver seu filho afogado no mar. O corpo do menino foi sepultado neste sábado, no cemitério de Lampedusa, ilha italiana para onde a jovem foi levada.

Seu caixão branco foi enterrado em uma área onde já estão sepultados diversos corpos de migrantes sem nome, vítimas das viagens da morte no Mediterrâneo.

Desde o início do ano, 31.214 pessoas concluíram a travessia entre o norte da África e o sul da Itália, crescimento de cerca de 200% na comparação com o mesmo período de 2019, segundo o Ministério do Interior.

A maioria delas é proveniente da Tunísia (12.430) e de Bangladesh (3.712). De acordo com o projeto Missing Migrants, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 596 indivíduos já morreram tentando concluir a travessia do Mediterrâneo Central em 2020. (ANSA) 

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