ONG para vítimas de guerra vai ajudar setor de saúde na Calábria

Governo italiano fechou parceria com Emergency, de Gino Strada

Gino Strada, fundador da ONG Emergency
Gino Strada, fundador da ONG Emergency (foto: ANSA)
14:38, 18 NovROMA ZLR

(ANSA) - Em meio à crise no setor de saúde na Calábria, o governo da Itália fechou um convênio para a ONG Emergency, fundada pelo médico e ativista Gino Strada, administrar hospitais de campanha para pacientes da Covid-19 na região.

Com sede em Milão, a entidade existe desde 1994 e oferece tratamentos e cirurgias de graça para vítimas de guerra, de minas terrestres e da pobreza. Além de cuidar de estruturas de campanha, ela dará suporte em hotéis para quarentena de infectados e em áreas de triagem de hospitais calabreses.

Situada no "bico da bota", a região tem quase 2 milhões de habitantes e enfrenta uma crise em seu setor sanitário, que está sob intervenção de Roma desde 2009 devido a dívidas e infiltrações do crime organizado em gestões anteriores - a Calábria é berço da 'ndrangheta, poderosa máfia que tem ramificações no mundo inteiro.

Desde 7 de novembro, três comissários nomeados pelo governo italiano para a Secretaria de Saúde deixaram o cargo, que agora está vago, por causa de gafes ou motivos pessoais.

O primeiro, Saverio Cotticelli, renunciou após ter dito a uma TV que não sabia que cabia a ele preparar um plano regional contra a pandemia. O segundo, Giuseppe Zuccatelli, se demitiu depois da divulgação de um vídeo no qual ele afirma que as máscaras de proteção "não servem para merda nenhuma".

Já o terceiro, Eugenio Gaudio, ficou menos de 24 horas na função e desistiu porque sua esposa não quis se mudar para Catanzaro, capital da Calábria.

"Definimos um acordo entre a Emergency e a Proteção Civil para contribuir concretamente na resposta à emergência sanitária na Calábria", anunciou Strada na última terça-feira (17). Partidos da base aliada pressionavam para o premiê Giuseppe Conte nomear o médico e ativista como comissário, mas fontes do governo disseram que ele não estava disponível para assumir o cargo.

"Acredito que a contribuição de Gino Strada será importante para a Calábria", disse o ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, que está na mira da oposição por causa do entra e sai de comissários na Secretaria de Saúde calabresa.

Zona vermelha

Ao longo da última década, a Calábria conseguiu reduzir sua dívida, mas para isso desmantelou parte de seu sistema sanitário, o que fez a gestão Conte classificá-la como "zona vermelha" na pandemia, apesar de ter números muito menores que outras regiões nesse regime, como Lombardia e Piemonte.

As áreas vermelhas têm regras semelhantes às do lockdown vigente entre março e maio, como proibição de sair de casa a não ser por motivos de trabalho, saúde ou urgentes e fechamento do comércio não essencial.

A Calábria registrou 936 casos do Sars-CoV-2 nesta quarta-feira, com 48 contágios para cada 100 mil habitantes, apenas o 14º maior índice entre as 20 regiões da Itália, porém o "bico da bota" sofre com poucos leitos de UTI (239) e escassez de operadores sanitários e laboratórios de testagem.

A região também vive um período de transição política, após a morte da governadora Jole Santelli, que tinha 51 anos e lutava contra um câncer, em 15 de outubro. Ela foi substituída interinamente por Antonino Spirlì até a realização de novas eleições, ainda sem data definida. (ANSA) 

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